Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com seis pontos percentuais de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno das eleições presidenciais. É a primeira vez desde março que os dois deixam a situação de empate técnico, com o petista consolidando uma liderança que vinha crescendo nas últimas semanas.

Segundo o levantamento, Lula tem 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio. Brancos e nulos somam 14%, e indecisos, 4%. Em relação à pesquisa anterior, de maio, o presidente oscilou positivamente de 42% para 44%, enquanto o senador caiu de 41% para 38% — uma perda de três pontos percentuais.
A virada no humor do eleitorado ocorre em meio a dois episódios que prejudicaram a imagem de Flávio Bolsonaro: a revelação de que ele pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro; e o encontro do senador com Donald Trump na Casa Branca, seguido por anúncios americanos de novas tarifas sobre produtos brasileiros e da classificação de facções criminosas como terroristas.
O que mostra a pesquisa
O levantamento da Quaest, encomendado pelo banco Genial, ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em todo o território nacional entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Cenário de segundo turno (Lula x Flávio):
- Lula: 44%
- Flávio Bolsonaro: 38%
- Brancos/nulos: 14%
- Indecisos: 4%
Comparativo com a pesquisa de maio:
- Lula: subiu de 42% para 44%
- Flávio: caiu de 41% para 38%
Cenário de primeiro turno:
- Lula: 39%
- Flávio Bolsonaro: 29% (queda de 4 pontos em relação a maio, quando tinha 33%)
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
- Aécio Neves (PSDB): 2%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Joaquim Barbosa (DC): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Indecisos: 10%
- Brancos/nulos/não vão votar: 9%
Principais informações
- Crescimento de Lula entre independentes: O petista melhorou seu desempenho entre os eleitores que se declaram independentes — grupo crucial para desequilibrar a disputa polarizada. Em maio, Lula tinha 29% desse segmento contra 31% de Flávio. Agora, o presidente lidera entre os independentes por 37% a 24%. Nesse grupo, 30% disseram que não votarão em nenhum dos dois e 9% estão indecisos.
- Impacto do caso Master: Para 65% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro errou ao pedir que Daniel Vorcaro financiasse o filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente. Além disso, 58% acreditam que o senador pode estar escondendo seu real envolvimento no escândalo do Banco Master.
- Rejeição ao tarifaço e à classificação de facções: A pesquisa mostra que 47% dos brasileiros concordam com a acusação de Lula de que Flávio influenciou as decisões de Trump. Outros 35% acreditam na defesa do senador, que nega ter pedido tarifas. Sobre a classificação de PCC e CV como terroristas, 47% atribuem influência a Flávio, mas 60% concordam que as facções deveriam ser tratadas como terroristas pelo próprio governo brasileiro.
- Rejeição recorde a Flávio: O senador é o pré-candidato com maior índice de rejeição entre todos os testados. Do total de entrevistados, 56% afirmaram que conhecem Flávio e não votariam nele de jeito nenhum. Lula tem 53% de rejeição, e Aécio Neves — incluído pela primeira vez na pesquisa — aparece com 54%.
- Avaliação do governo Lula: O presidente viu sua aprovação oscilar positivamente de 46% para 47%, enquanto a desaprovação recuou de 49% para 48%. A melhora foi mais acentuada entre eleitores independentes (a desaprovação caiu de 52% para 47% em um mês) e entre evangélicos (a desaprovação recuou de 65% para 60%, e a aprovação subiu de 30% para 35%).
Contexto: os fatores que explicam a virada
A pesquisa Genial/Quaest é a primeira realizada após dois eventos que impactaram negativamente a pré-campanha de Flávio Bolsonaro:
- Caso Vorcaro e o Banco Master: A revelação de que Flávio pediu R$ 5 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o pai reacendeu as suspeitas sobre o envolvimento da família Bolsonaro com o esquema do banco que faliu deixando um rombo bilionário. Vorcaro foi preso em maio, e mensagens obtidas pela Polícia Federal mostraram a interlocução direta entre o senador e o banqueiro.
- A viagem a Washington: O encontro de Flávio com Donald Trump na Casa Branca, no final de maio, foi seguido por dois anúncios agressivos dos EUA contra o Brasil: a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e a proposta de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Lula aproveitou os episódios para cunhar o termo “TariFlávio” e acusar o senador de traição nacional.
O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, destacou que, embora o bolsonarismo mais radical permaneça fiel a Flávio (94% desse grupo vota nele), o senador perdeu força entre eleitores de direita não bolsonaristas. “Já são 11% deles com intenção de votar em Renan, 10% em Lula e 6% em Caiado”, observou.
Outros cenários de segundo turno
A pesquisa também simulou embates de Lula contra outros pré-candidatos. Em todos os cenários, o presidente venceria com folga:
| Cenário | Lula | Adversário | Brancos/nulos | Indecisos |
|---|---|---|---|---|
| Lula x Romeu Zema (Novo) | 45% | 35% | 17% | 3% |
| Lula x Ronaldo Caiado (PSD) | 45% | 35% | 16% | 4% |
| Lula x Renan Santos (Missão) | 45% | 31% | 20% | 4% |
Resumo da notícia
| Tema | Informação |
|---|---|
| Assunto principal | Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula com 44% e Flávio Bolsonaro com 38% no segundo turno — vantagem de 6 pontos, a primeira fora do empate técnico desde março. |
| Período de coleta | 5 a 8 de junho de 2026 |
| Margem de erro | 2 pontos percentuais |
| Fatores que ajudaram Lula | Crescimento entre eleitores independentes (37% a 24%) e melhora na avaliação do governo (aprovação sobe para 47%). |
| Fatores que prejudicaram Flávio | Caso Vorcaro (65% dizem que ele errou) e associação com tarifaço e classificação de facções (47% o culpam). |
| Rejeição | Flávio tem a maior rejeição (56%), seguido por Aécio Neves (54%) e Lula (53%). |
| Próximos passos | Pesquisa acirra debate sobre impacto do caso Master e da interferência externa na campanha eleitoral; novos levantamentos devem ser divulgados nas próximas semanas. |
Conclusão
A pesquisa Genial/Quaest de junho escancara um movimento consistente de deterioração da imagem de Flávio Bolsonaro desde meados de maio. O senador, que chegou a estar numericamente à frente de Lula em abril, agora vê o adversário abrir vantagem fora da margem de erro pela primeira vez em meses.
Dois fenômenos explicam a virada. O primeiro é o desgaste acumulado pelo “efeito Trump”: a percepção de que Flávio teria influenciado decisões americanas contra o Brasil — ainda que ele negue — colou na opinião pública e deu munição ao discurso petista da “TariFlávio”. O segundo, mais estrutural, é o caso Vorcaro: a maioria dos brasileiros considera que o senador errou ao pedir dinheiro ao banqueiro preso e suspeita que ele tenha algo a esconder sobre o escândalo do Banco Master.
Para a campanha de Lula, os números são animadores, especialmente a melhora entre independentes e evangélicos — dois segmentos nos quais o governo vinha sofrendo rejeição elevada. Para Flávio Bolsonaro, o caminho se torna mais íngreme: além de ter de lidar com a rejeição recorde (56%), ele precisará reconstruir a confiança de eleitores de direita não bolsonaristas, que já miram outras alternativas como Renan Santos e Ronaldo Caiado.
A eleição de outubro, no entanto, está apenas no meio do caminho. A vantagem de seis pontos de Lula é expressiva, mas não é intransponível. Resta saber se o senador conseguirá se descolar das crises que o cercam ou se o desgaste continuará a corroer suas intenções de voto nas próximas semanas.
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