A polícia migratória dos Estados Unidos (ICE) anunciou nesta segunda-feira (15) a captura de Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”, um ex-chefe das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O foragido, que tinha uma ordem de captura da Interpol solicitada pelo Brasil, foi preso na Carolina do Norte após uma perseguição, quando tentava cruzar a fronteira para o México.

De acordo com o comunicado do ICE, no momento da abordagem, Dell Aquilla mantinha sua própria esposa como refém dentro do veículo. O caso ocorre em um contexto de endurecimento das políticas migratórias e de combate ao crime organizado nos EUA, que recentemente classificaram as facções brasileiras como organizações terroristas.
O que aconteceu
A prisão de “Don” ocorreu na cidade de Mooresville, na Carolina do Norte, durante um controle de tráfego. Ao perceber a presença das autoridades, o ex-chefe criminoso tentou fugir, mas perdeu o controle do carro e sofreu um acidente, sendo capturado em seguida.
- A perseguição: Dell Aquilla estava em rota para o México, provavelmente buscando escapar da jurisdição americana. Não está claro há quanto tempo ele estava nos EUA ou se já havia entrado no país antes da designação do PCC e CV como terroristas.
- A esposa como refém: Segundo as autoridades, o criminoso mantinha sua esposa no carro contra a vontade dela. O fato de ele tê-la usado como refém durante a fuga pode agravar sua situação legal nos EUA.
- Material apreendido: Dentro do veículo, a polícia encontrou uma arma de fogo, dinheiro em espécie e diversos celulares. O material será analisado para investigar possíveis conexões com atividades criminosas transnacionais.
Principais informações
- Quem é “Don”: Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla é um ex-integrante de alta hierarquia do PCC e do CV, duas das maiores facções criminosas do Brasil. Ele era procurado pela Interpol por associação criminosa e extorsão.
- A ordem de prisão: O mandado de captura em aberto foi solicitado pelo Brasil, que agora aguarda os trâmites para solicitar a extradição de Dell Aquilla. A prisão nos EUA pode acelerar o processo de devolução do foragido à Justiça brasileira.
- Contexto migratório: A detenção foi realizada pelo ICE, a agência de imigração e alfândega dos EUA, reforçando a política de rigor no controle de fronteiras e na deportação de estrangeiros com antecedentes criminais.
Contexto: A designação terrorista e a nova postura dos EUA
A prisão de Dell Aquilla ocorre menos de um mês depois de os Estados Unidos terem oficialmente designado o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras (FTOs), em 28 de maio de 2026. A medida, que entrou em vigor em 5 de junho, foi tomada unilateralmente pelo governo Trump, contra a vontade explícita do governo brasileiro.
- O pedido negado pelo Brasil: Em maio de 2025, os EUA já haviam solicitado ao Brasil que classificasse as facções como terroristas, mas o pedido foi rejeitado. Na ocasião, o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que as facções não se enquadram na definição constitucional de terrorismo, que exige motivação política, ideológica ou religiosa.
- A Lei Antiterrorismo brasileira: Sancionada em 2016, a lei define terrorismo como atos motivados por “xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião”, visando provocar “terror social ou generalizado”. Atividades criminosas comuns, como tráfico de drogas e extorsão, não se enquadram nessa definição.
- Impacto da designação: Com a classificação, os EUA podem bloquear bens, proibir transações financeiras e negar entrada no país a membros das facções. A prisão de Dell Aquilla pode ser um dos primeiros desdobramentos práticos dessa nova política, facilitando a detenção de integrantes do PCC e CV em solo americano.
A medida também gerou atrito diplomático entre Washington e Brasília, já que o governo Lula teme que a classificação possa ser usada como pretexto para intervenções militares estrangeiras no Brasil ou para criminalizar movimentos sociais.
Próximos passos
Com Dell Aquilla sob custódia do ICE, o governo brasileiro deverá formalizar um pedido de extradição para que ele seja julgado no Brasil pelos crimes de associação criminosa e extorsão. O processo pode levar meses, dependendo da tramitação na Justiça americana e de eventuais recursos da defesa.
Além disso, a prisão pode motivar novas ações do ICE contra outros foragidos brasileiros nos EUA, especialmente agora que PCC e CV estão na lista de organizações terroristas.
Resumo da notícia
| Tema | Informação |
|---|---|
| Assunto principal | ICE dos EUA prende ex-líder do PCC e CV, Felipe Dell Aquilla (“Don”), que tentava fugir para o México com a esposa como refém. |
| Local | Mooresville, Carolina do Norte. |
| Crimes | Associação criminosa e extorsão (mandado da Interpol solicitado pelo Brasil). |
| Circunstâncias | Perseguição, acidente de carro, esposa refém, apreensão de arma e dinheiro. |
| Contexto | Prisão ocorre após EUA classificarem PCC e CV como terroristas (28/05/2026). |
| Próximos passos | Brasil deve solicitar extradição; processo pode levar meses. |
| Impacto diplomático | Caso reacende tensão entre EUA e Brasil sobre designação terrorista. |
A prisão de “Don” nos Estados Unidos é um marco no enfrentamento ao crime organizado transnacional, mas também expõe as complexidades da nova geopolítica do combate ao narcotráfico. Para o Brasil, a captura de um foragido de alta periculosidade é uma vitória das autoridades, ainda que o processo de extradição possa ser longo.
O episódio, no entanto, não deve ser visto isoladamente. Ele é um subproduto da decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas – uma medida que o Brasil rejeita por razões jurídicas e de soberania. Enquanto os EUA comemoram a captura como um sucesso de sua política migratória e antiterrorismo, o governo Lula vê com preocupação a crescente presença da política americana em assuntos que considera de jurisdição exclusivamente brasileira.
O desfecho do caso Dell Aquilla – se ele será extraditado ou julgado nos EUA – será um termômetro para o futuro da cooperação judiciária entre os dois países em um momento de relações tensas.
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