Atlas/Estadão: Tarcísio lidera com 49,1% contra 42,6% de Haddad em São Paulo; vantagem se mantém em cenários com Tebet e Alckmin

Pesquisa mostra governador à frente em todos os cenários testados, com diferença que varia de 6,5 a 17,2 pontos percentuais; eleição para o Palácio dos Bandeirantes se consolida como o principal palanque estadual da disputa presidencial


A primeira grande pesquisa de intenção de voto para o governo de São Paulo após a confirmação das principais candidaturas mostra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com vantagem sobre o ex-ministro Fernando Haddad (PT). De acordo com levantamento do instituto AtlasIntel encomendado pelo Estadão e divulgado nesta segunda-feira (30), Tarcísio tem 49,1% das intenções de voto contra 42,6% de Haddad no cenário mais provável para o primeiro turno.

A diferença de 6,5 pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, mas o dado consolida a percepção de que o governador parte na frente na corrida pela reeleição — e que Haddad, embora competitivo, terá que reverter um quadro desfavorável.

O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 27 de março, com 2.254 eleitores paulistas recrutados por amostragem digital aleatória. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01079/2026.


📊 Os números do confronto direto

No cenário que opõe Tarcísio e Haddad — o mais provável após o governador anunciar que disputará a reeleição e Haddad ceder à pressão do presidente Lula para ser o candidato do PT —, a distribuição dos votos é a seguinte:

CandidatoIntenção de voto
Tarcísio de Freitas (Republicanos)49,1%
Fernando Haddad (PT)42,6%
Kim Kataguiri (Missão)5,0%
Paulo Serra (PSDB)1,2%
Brancos/nulos1,5%
Não sabe0,6%

Kim Kataguiri, deputado federal do Missão (partido em formação a partir do antigo PSD), aparece com 5%, enquanto o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) registra 1,2% — um desempenho que reflete a dificuldade do PSDB de se manter relevante em seu antigo reduto eleitoral.

🧪 Os cenários alternativos: Tebet, França e Alckmin

O instituto AtlasIntel também testou outros cenários, substituindo Haddad por nomes que foram cotados para representar o campo de Lula no estado.

Simone Tebet (PSB): a ministra do Planejamento, que se filiou ao PSB na última sexta (27) e deve concorrer ao Senado por São Paulo, teria 41,8% contra 48,8% de Tarcísio. Kim Kataguiri aparece com 5%, e Paulo Serra, com 1,5%. A diferença entre os dois primeiros é de 7 pontos.

Márcio França (PSB): o ministro do Empreendedorismo, ex-governador de São Paulo, teria 32,2% contra 49,4% de Tarcísio — uma diferença de 17,2 pontos. França tem demonstrado intenção de disputar o Senado, mas seu nome ainda é cogitado para compor como vice de Haddad.

Geraldo Alckmin (PSB): o vice-presidente da República, que deve permanecer na chapa de Lula, teria 41,4% contra 48,4% de Tarcísio. Kim Kataguiri somaria 5,3% e Paulo Serra, 1,5%. A diferença é de 7 pontos.

Os números indicam que, entre os nomes testados, Haddad é o que tem melhor desempenho contra Tarcísio — ainda que parta atrás.

🏛️ O contexto político da disputa paulista

A pesquisa chega em um momento de definição das estratégias dos dois principais campos políticos do país. São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e o palanque mais importante para as eleições presidenciais.

Tarcísio de Freitas, que era cotado por partidos de centro e setores da direita como candidato à Presidência, acabou mantido na disputa à reeleição após Jair Bolsonaro (PL) escolher o filho, o senador Flávio Bolsonaro, como nome ao Planalto. Para disputar a Presidência, Tarcísio teria que deixar o governo até o próximo sábado (4) — o que não deve ocorrer.

Do lado do governo federal, Haddad resistia à ideia de disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes — foi derrotado por Tarcísio no segundo turno de 2022 —, mas acabou cedendo à pressão do presidente Lula. Para aliados do Planalto, Haddad é o nome do campo com mais condições de levar a disputa ao segundo turno, evitando uma vitória de Tarcísio já no primeiro round e preservando o palanque paulista para a reeleição de Lula.

📈 A reação dos aliados

A vantagem de Tarcísio nos cenários testados reforça a percepção de que o governador parte com favoritismo. Sua gestão tem aprovação moderada, e ele conseguiu manter trânsito tanto com o bolsonarismo quanto com setores do centrão e do agronegócio.

Haddad, por sua vez, terá que enfrentar o desafio de conciliar sua imagem de ex-prefeito de São Paulo (com rejeição remanescente) com o papel de fiador da política econômica do governo Lula — que, embora tenha entregue crescimento e queda do desemprego, ainda enfrenta resistências em setores mais conservadores do eleitorado paulista.

O deputado Kim Kataguiri, com 5%, pode ser um fator de dispersão de votos que, em tese, tenderiam mais ao campo conservador — beneficiando indiretamente Haddad. Já Paulo Serra, com 1,2%, mostra a irrelevância do PSDB em um estado que governou por décadas.


Primeiro round, vantagem para Tarcísio

A pesquisa Atlas/Estadão mostra que, neste momento, Tarcísio de Freitas tem um desempenho consistente à frente em todos os cenários testados — com vantagens que variam de 6,5 a 17,2 pontos percentuais sobre os principais nomes do campo governista.

Haddad, embora atrás, aparece como o candidato mais competitivo entre os testados, com uma diferença que está no limite da margem de erro. Para o governo federal, sua candidatura é a que oferece a melhor chance de levar a disputa ao segundo turno e manter o palanque paulista vivo para a reeleição de Lula.

Para Tarcísio, os números são animadores, mas não garantem vitória. A diferença de 6,5 pontos é confortável, mas não intransponível — e o cenário pode mudar ao longo da campanha, especialmente se o governo federal emplacar uma estratégia de comunicação mais agressiva no estado.

A pesquisa também mostra que o PSDB, outrora hegemônico em São Paulo, está reduzido a uma irrelevância que poucos imaginariam há uma década. E que Kim Kataguiri, embora ainda pequeno, pode ter papel de fiel da balança se mantiver seus votos.

O primeiro round das pesquisas aponta favoritismo de Tarcísio. Mas, em São Paulo, como em toda eleição, o voto só será contado em outubro. A campanha está apenas começando.

Reportagem produzida com base em informações do Estadão publicadas em 30 de março de 2026

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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