O segundo turno das eleições presidenciais no Peru terminou neste domingo (7) com uma das disputas mais acirradas da história recente do país. Pesquisas de boca de urna divulgadas pelos institutos Ipsos e Datum indicam uma vantagem numérica mínima da candidata direitista Keiko Fujimori sobre o esquerdista Roberto Sánchez, em um cenário de polarização extrema.
De acordo com os levantamentos realizados na saída dos locais de votação, Fujimori teria entre 50,5% e 50,7% dos votos válidos, contra 49,3% a 49,5% de seu adversário – uma diferença de pouco mais de um ponto percentual, considerada tecnicamente dentro da margem de erro.

As seções eleitorais foram encerradas às 17h no horário local (19h em Brasília), e a apuração oficial ainda não havia começado até o fechamento desta reportagem. A expectativa é de que o resultado definitivo demore horas ou até dias para ser consolidado, dada a proximidade dos números.
O que mostram as pesquisas
Dois dos principais institutos de pesquisa do Peru divulgaram números ligeiramente diferentes, mas ambos apontam Keiko Fujimori numericamente à frente:
- Ipsos: Keiko Fujimori com 50,7% dos votos válidos; Roberto Sánchez com 49,3%.
- Datum: Keiko Fujimori com 50,5% dos votos válidos; Roberto Sánchez com 49,5%.
As pesquisas de boca de urna (ou exit polls) são entrevistas realizadas com eleitores logo após o voto. Embora não tenham o mesmo peso que a apuração oficial, tradicionalmente servem como um primeiro indicador confiável da tendência do resultado. A vantagem de Fujimori, no entanto, está no limite da margem de erro dos levantamentos, o que significa que uma virada de última hora não está descartada.
Principais informações
- Segundo turno acirrado: A eleição foi disputada voto a voto. Com mais de 99% das seções eleitorais fechadas, nenhum dos dois candidatos conseguiu consolidar uma liderança confortável ao longo do dia.
- Jornada sem grandes incidentes: Ao contrário do primeiro turno, que foi marcado por falhas técnicas generalizadas em urnas eletrônicas, denúncias de fraudes e clima de caos, a votação deste domingo transcorreu com relativa normalidade, segundo observadores nacionais e internacionais.
- Polarização extrema: A disputa colocou frente a frente dois projetos antagônicos para o país: Fujimori, herdeira política do controverso ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), representa a direita tradicional e o liberalismo econômico; Sánchez, ex-ministro de Pedro Castillo, defende um modelo com maior intervenção estatal e ampliação de programas sociais.
- Próximos passos: O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru iniciará a contagem oficial dos votos nas próximas horas. A projeção é que os primeiros boletins oficiais comecem a ser divulgados ainda na noite de domingo (horário local), mas a consolidação final pode levar até uma semana.
Contexto: A crise política peruana
O Peru chega a esta eleição em meio a uma das mais graves crises institucionais de sua história. O país teve seis presidentes em seis anos entre 2018 e 2024, com casos de impeachment, dissolução do Congresso e protestos violentos que deixaram dezenas de mortos.
A gestão de Dina Boluarte (2023-2026), que não concorreu à reeleição, foi marcada por forte rejeição popular devido à repressão a manifestações e à incapacidade de conter a violência do narcotráfico e a expansão de facções criminosas.
Keiko Fujimori chega a esta eleição após duas derrotas apertadas no segundo turno (em 2011 para Ollanta Humala e em 2016 para Pedro Pablo Kuczynski) e após ter sido presa preventivamente por suspeita de corrupção no caso Odebrecht, sendo posteriormente solta. Ela tenta agora repetir o fenômeno de popularidade do pai, Alberto Fujimori, que governou com mão de ferro e é amado por uma parcela da população por ter derrotado o terrorismo do Sendero Luminoso, mas é odiado por outro segmento por violações de direitos humanos.
Roberto Sánchez, por sua vez, surfou na onda de rejeição à elite política tradicional. Ex-ministro do Turismo no curto governo de Pedro Castillo, ele se apresenta como um outsider e promete “refundar a república” e enfrentar os “poderes fáticos” da economia peruana.
O que esperar do resultado oficial
Com uma diferença tão pequena, os próximos dias serão decisivos. A apuração oficial pode confirmar a vitória de Fujimori, como indicam os exit polls, ou mostrar uma virada de Sánchez, caso as pesquisas tenham subestimado seu eleitorado em regiões de difícil acesso.
O cenário mais provável é de um resultado apertadíssimo, possivelmente com pedidos de recontagem de votos por parte do candidato derrotado. Analistas já alertam para o risco de uma crise pós-eleitoral semelhante à ocorrida em 2021, quando Pedro Castillo foi declarado vencedor apenas após mais de um mês de impugnações e denúncias de fraude.
“A vantagem de Fujimori é tão pequena que está dentro da margem de erro das pesquisas. Ninguém pode cantar vitória ainda”, resumiu o cientista político peruano Fernando Tuesta, em entrevista à imprensa local.
Resumo da notícia
| Tema | Informação |
|---|---|
| Assunto principal | Pesquisas de boca de urna no segundo turno das eleições presidenciais do Peru apontam vantagem numérica de Keiko Fujimori sobre Roberto Sánchez. |
| Números (Ipsos) | Fujimori: 50,7% |
| Números (Datum) | Fujimori: 50,5% |
| Contexto eleitoral | Votação transcorreu sem grandes incidentes, ao contrário do primeiro turno caótico. Apuração oficial ainda não começou. |
| Riscos | Diferença dentro da margem de erro pode levar a pedidos de recontagem e crise pós-eleitoral. |
| Próximos passos | ONPE inicia contagem oficial nas próximas horas; resultado consolidado pode levar até uma semana. |
O Peru viveu neste domingo mais um capítulo de sua atribulada vida democrática. A eleição mais polarizada da última década termina, pelos indicadores iniciais, com um empate técnico entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.
A vantagem mínima de Fujimori nas pesquisas de boca de urna — entre 0,8 e 1,4 ponto percentual — está longe de ser uma vitória consolidada. O país terá de aguardar a apuração oficial, que promete ser lenta e potencialmente contestada. O cenário de maior risco é a repetição do trauma de 2021: um resultado inconclusivo, acusações de fraude e semanas de incerteza política.
Independentemente de quem vença, o novo presidente herdará um país fragmentado, com economia estagnada, crise de segurança pública e um Congresso hostil. A última pesquisa de aprovação do governo Boluarte, que deixou o cargo neste domingo, não ultrapassava 15%. O desafio de governar o Peru, neste momento, pode ser ainda maior do que o desafio de vencê-lo.
MINHA CAPITAL Notícias, dicas e muito mais – Brasília!