Senador classificou medalhão militar como sinal de prestígio e afirmou que presidente americano perguntou sobre prisão de Jair Bolsonaro; governistas criticam “cortina de fumaça”

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exibiu em suas redes sociais, nesta terça-feira (26), uma moeda de honra que disse ter recebido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao fim de um encontro na Casa Branca. Em publicação no Instagram, Flávio classificou o presente como um “gesto raro, reservado a aliados” e afirmou que a entrega “demonstra um prestígio enorme”.
O objeto é uma challenge coin, um medalhão tradicionalmente associado às Forças Armadas dos EUA, usado como símbolo de reconhecimento, pertencimento ou lembrança de visitas oficiais. A tradição militar tem cerca de um século e é utilizada para reforçar o espírito de grupo e homenagear méritos.
A visita de Flávio a Trump ocorre em um momento delicado para sua pré-campanha. O senador viu suas intenções de voto despencarem após a divulgação de áudios em que aparece pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro com o presidente americano foi visto por aliados como uma tentativa de mudar o foco da opinião pública.
🎖️ O que é a “challenge coin” recebida por Flávio
A challenge coin entregue por Trump a Flávio é um objeto de colecionismo militar de alto valor simbólico. Tradicionalmente, as moedas são cunhadas com insígnias de unidades militares, da Casa Branca ou de outras instituições governamentais. São entregues em cerimônias oficiais, visitas de Estado e como forma de agradecimento a aliados.
No meio militar americano, existe até um “desafio da moeda”: um soldado que recebe uma challenge coin deve carregá-la consigo e, se desafiado por um superior, apresentá-la imediatamente. A tradição varia conforme a unidade, mas o símbolo é universalmente reconhecido como uma honraria.
A entrega de uma challenge coin presidencial é ainda mais rara. Costuma ser reservada a chefes de Estado, comandantes militares estrangeiros e figuras de altíssimo prestígio. Flávio Bolsonaro, senador brasileiro e pré-candidato à Presidência, não se enquadra nesses perfis — o que torna o gesto de Trump ainda mais significativo e, para os críticos, controverso.
🇺🇸 O encontro na Casa Branca e a pergunta sobre a prisão de Bolsonaro
Segundo Flávio, durante o encontro, Trump perguntou sobre as condições da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente foi preso em fevereiro de 2026, acusado de envolvimento em um plano de golpe de Estado, e atualmente cumpre pena em Brasília.
“O presidente Trump demonstrou solidariedade ao meu pai e se disse preocupado com as condições de sua prisão”, afirmou Flávio, sem dar mais detalhes. Trump não se manifestou publicamente sobre o encontro até o momento.
A visita de Flávio a Trump ocorre poucos dias após o presidente americano ter se reunido com o presidente Lula (PT) em Washington, na primeira semana de maio. Na ocasião, os dois líderes discutiram comércio e minerais críticos, com Trump chamando Lula de “amigo” e dizendo “I love you” ao final de uma ligação.
🎯 Estratégia de campanha ou “cortina de fumaça”?
O encontro com Trump foi duramente criticado por governistas, que classificaram a viagem como uma tentativa de desviar a atenção do escândalo do Banco Master.
“Flávio Bolsonaro tenta usar Trump como cortina de fumaça para esconder os áudios em que pede dinheiro a Vorcaro. O povo brasileiro não é bobo”, afirmou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
Aliados de Flávio, por outro lado, comemoraram o gesto de Trump. “O presidente americano recebeu Flávio como chefe de Estado em formação. É um sinal de que o mundo não aceitará uma eleição fraudada no Brasil”, disse o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
A percepção nos bastidores é de que a viagem teve dois objetivos: projetar Flávio como estadista (algo que sua campanha tenta construir desde o lançamento da pré-candidatura) e demonstrar que Trump está ao seu lado (o que pode ajudar a mobilizar a base bolsonarista, que admira o republicano).
📊 O impacto nas pesquisas e a relação com Vorcaro
A viagem a Washington ocorre uma semana após a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrou uma queda acentuada nas intenções de voto de Flávio. O senador caiu de 39,7% para 34,3% no primeiro turno, e Lula abriu vantagem de 7 pontos no segundo turno (48,9% a 41,8%).
A queda foi atribuída ao áudio em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro. O banqueiro está preso desde março e é investigado por um esquema bilionário de fraudes financeiras.
A moeda de honra de Trump, portanto, chega em um momento de necessidade para Flávio. O gesto pode reforçar a base bolsonarista, que vê Trump como um aliado ideológico, e desviar a atenção da mídia e do eleitorado do escândalo do Master.
Por outro lado, a estratégia pode ser lida como uma confirmação da tese petista de que Flávio é “submisso a interesses estrangeiros” — uma acusação que o PT tem repetido desde o lançamento da pré-candidatura do senador.
Uma moeda de dois lados
A moeda de honra que Flávio Bolsonaro recebeu de Trump é, para seus apoiadores, um símbolo de prestígio internacional e de reconhecimento da liderança do senador. Para seus críticos, é uma tentativa desesperada de mudar o foco do escândalo do Banco Master.
Objetivamente, o encontro com Trump e a exibição pública da moeda fazem parte de uma estratégia de campanha: Flávio tenta projetar imagem de estadista, se associar a um líder popular entre os conservadores brasileiros e, com isso, recuperar o terreno perdido nas pesquisas.
O problema é que a moeda — como o escândalo do Master — tem dois lados. Enquanto Flávio exibe a honraria, os eleitores se perguntam: o que o senador fez para merecê-la? E o que ele fez para merecer, também, a desconfiança de milhões de brasileiros sobre sua relação com Vorcaro?
A campanha eleitoral está apenas começando. E, para Flávio, a moeda de Trump pode ser tanto uma medalha quanto um peso — dependendo de como o eleitorado interpretar o gesto.
Reportagem produzida com base em informações do Poder360 publicadas em 27 de maio de 2026
MINHA CAPITAL Notícias, dicas e muito mais – Brasília!