Presidente americano afirma que forças militares permanecem em posição ao redor do país persa; Irã acusa descumprimento em três pontos e Paquistão pede moderação

A trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, anunciada na terça-feira (7) com grande alarde, já está por um fio. O presidente Donald Trump ameaçou nesta quinta-feira (9) autorizar ataques “maiores e mais fortes” caso o acordo não seja integralmente cumprido. Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que todos os navios, aeronaves e militares americanos permanecerão em posição “dentro e ao redor do Irã” até que o “verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”.
“Nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista”, escreveu o presidente, em tom de advertência. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o cessar-fogo e as conversas com os EUA são “pouco razoáveis” e apontou três violações já cometidas pelos americanos e por Israel.
O Paquistão, que mediou o acordo, pediu “moderação” às partes. A trégua, que deveria durar duas semanas e abrir caminho para negociações de paz em Islamabad, começa a mostrar suas fragilidades antes mesmo do início das conversações formais, previstas para esta sexta-feira (10).
💣 A ameaça de Trump: “destruição letal”
Na postagem, Trump listou as condições para não retomar os ataques:
- O Irã não desenvolver arma nuclear
- O Estreito de Ormuz permanecer aberto e seguro
“Enquanto isso, todas as nossas aeronaves, navios e militares, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão em suas posições dentro e ao redor do Irã”, afirmou.
A linguagem é a mais belicosa desde o anúncio da trégua. O presidente americano deixou claro que as forças militares não se retiraram — apenas estão “se reabastecendo e descansando”, prontas para uma nova ofensiva. A mensagem é dirigida tanto a Teerã quanto aos aliados da região: os EUA mantêm a capacidade de ataque e não hesitarão em usá-la se o acordo for descumprido.
🇮🇷 As acusações iranianas: três violações
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi incisivo ao afirmar que o cessar-fogo já foi violado em três pontos:
- Ataques contínuos no Líbano — Israel, aliado dos EUA, continuou bombardeando alvos no sul do Líbano após o anúncio da trégua, o que Teerã considera uma violação do compromisso de “cessação da guerra em todas as frentes”.
- Entrada de drone no espaço aéreo iraniano — segundo Ghalibaf, um drone não identificado, que ele atribuiu aos EUA, violou o espaço aéreo iraniano após o cessar-fogo.
- Negativa ao direito de enriquecer urânio — o Irã afirma que os EUA continuam a insistir no desmantelamento do programa nuclear iraniano, o que contradiz o acordo de que as negociações se baseariam nos 10 pontos apresentados por Teerã (que incluem o direito ao enriquecimento).
Ghalibaf classificou as conversas como “pouco razoáveis” e disse que o Irã não aceitará um acordo que não respeite seus direitos soberanos.
🕊️ O papel do Paquistão: apelo por moderação
O Paquistão, que mediou o acordo de trégua e seria o anfitrião das negociações de paz a partir desta sexta-feira (10), viu-se forçado a intervir. O governo paquistanês pediu “moderação” às partes e instou ambos os lados a honrar os compromissos assumidos.
Islamabad tem interesse direto no sucesso do acordo: uma guerra prolongada no Golfo Pérsico afeta não apenas os preços do petróleo, mas também a estabilidade de toda a região, incluindo o vizinho Irã, com quem o Paquistão mantém relações complexas.
O primeiro-ministro Shehbaz Sharif já havia se oferecido como mediador em março e viu sua aposta diplomática ser bem-sucedida com o anúncio da trégua. Agora, sua credibilidade está em jogo.
📅 O calendário da tensão: o que esperar nos próximos dias
A trégua foi anunciada na terça-feira (7) com a reabertura do Estreito de Ormuz e o compromisso de negociações em Islamabad. Mas as fissuras apareceram antes mesmo do início do diálogo formal.
As negociações entre autoridades iranianas e norte-americanas estão marcadas para esta sexta-feira (10) na capital paquistanesa. No entanto, a troca de acusações entre os dois lados lança dúvidas sobre se elas realmente ocorrerão — e, se ocorrerem, se terão alguma chance de avanço.
Os pontos de discórdia são os mesmos que impediram um acordo antes da guerra: o Irã exige o fim das sanções, indenizações e o reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio; os EUA exigem o desmantelamento do programa nuclear e o fim do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.
A diferença entre as posições é abissal. A trégua de duas semanas pode se revelar insuficiente até mesmo para começar a discuti-las.
Uma trégua frágil desde o nascedouro
A ameaça de Trump de ataques “maiores e mais fortes” é um sinal de que a Casa Branca não está disposta a aceitar um acordo que considere desfavorável. Mas também é um reconhecimento de que o atual cessar-fogo é frágil e pode ruir a qualquer momento.
Do lado iraniano, Ghalibaf deixou claro que Teerã não aceitará um acordo que não respeite seus direitos — e já identificou violações que, em sua visão, justificariam a retomada dos ataques.
O Paquistão, que apostou sua credibilidade diplomática na mediação, agora tenta conter os ânimos antes que o fogo se alastre novamente.
As negociações de sexta-feira serão um teste decisivo. Se avançarem, a trégua pode se consolidar. Se fracassarem, a guerra retomará — possivelmente em uma escala ainda maior do que antes. Trump já deixou claro que suas forças estão descansadas, reabastecidas e “ansiosas” por sua próxima conquista.
O mundo, mais uma vez, prende a respiração.
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