Uma coluna de opinião acusou o governo Lula de “aumentar em mais de 6.000% a importação de óleo diesel russo” desde 2023, apresentando o crescimento como afronta a embargos e alinhamento político com a Rússia. No entanto, essa estatística exagera o cenário com base em uma análise fora de contexto, que se refere à variação de quantidade e não aos valores reais.

Contexto real e dados oficiais
- As importações de diesel da Rússia realmente cresceram — mas os números sugerem uma transformação de pouco mais de 100 mil toneladas em 2022 para cerca de 6,1 milhões em 2024. Esse salto representa um aumento percentual elevado, que pode sim parecer surpreendente, mas deriva da base inicial muito baixa.
- Em 2022, 57% do diesel importado pelo Brasil vinha dos EUA; em 2024, esse percentual caiu para 17%, com 65% vindo da Rússia.
- Especialistas atribuem essa mudança principalmente à guerra na Ucrânia: enquanto sanções reduziam o custo do diesel russo, o Brasil aproveitou a oportunidade de mercado para garantir oferta suficiente.
Riscos e pressões externas
- A dependência de diesel russo — hoje responsável por mais da metade das importações brasileiras — tem gerado preocupação no governo dos EUA, que ameaça aplicar tarifas secundárias de até 100% a países que mantêm importações de combustíveis russos.
- Isso acende o alerta no Brasil por possíveis impactos no custo de combustíveis e em contratos internacionais, exigindo atenção e monitoramento das relações comerciais.
A afirmação de “6.000% de aumento” tem base estatística, mas carece de contexto e pode induzir à interpretação distorcida. O Brasil ampliou compras devido à dinâmica global de oferta e preço, e não por afinidade política. O real foco agora é entender os impactos dessa dependência diante de pressões internacionais, especialmente dos EUA, e buscar alternativas que mantenham a segurança energética com equilíbrio diplomático.
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