O homem por trás do negócio: quem é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso na Operação Compliance Zero

Executivo é suspeito de permitir negócios com o Banco Master sem lastro e de ignorar práticas de governança; indicado por Ibaneis Rocha, ele conduziu tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro


O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quinta-feira (16) na quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O executivo, que esteve à frente da instituição pública entre 2019 e novembro de 2025, é suspeito de não seguir práticas de governança e de permitir negócios com o Banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentassem o valor das operações.

A prisão de Costa é mais um desdobramento do escândalo que envolve o banco de Daniel Vorcaro, dono do Master, preso pela primeira vez em novembro de 2025 e novamente em março de 2026. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Segundo a PF, são investigados crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.

A defesa de Costa disse que considera a prisão “desnecessária” e que examinará a decisão para tomar as providências cabíveis.


🏦 Quem é Paulo Henrique Costa

Formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades no exterior, Costa tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Antes de assumir a presidência do BRB, em 2019, foi vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava desde 2001.

Sua indicação ao comando do banco público do Distrito Federal partiu do então governador Ibaneis Rocha (MDB), que o escolheu para liderar a instituição. Costa permaneceu no cargo por quase seis anos, até ser afastado pela Justiça em novembro de 2025, em meio às investigações que ligavam o BRB ao Banco Master.

🎯 O que diz a investigação

A quarta fase da Operação Compliance Zero mira especificamente a conduta de Costa à frente do BRB. Segundo os autos, o executivo é suspeito de:

  • Não seguir práticas de governança na condução dos negócios do banco público
  • Permitir operações com o Banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que comprovassem a viabilidade financeira
  • Defender a compra do Master como uma “solução para a crise da instituição privada”

A PF também investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master, e se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança dessas operações.

A negociação previa a aquisição de participação relevante no Banco Master por parte do BRB. A operação foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição de Daniel Vorcaro. No entanto, o Banco Central vetou o negócio ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que a compra poderia transferir riscos excessivos ao banco público.

🔗 A conexão com o Banco Master e Daniel Vorcaro

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, está no centro de um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 e novamente em março de 2026, sob suspeita de comandar um esquema de fraudes bilionárias que envolvia descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, além de operações financeiras irregulares.

O BRB aparece no caso como o principal interessado na compra do Master. A operação, se concretizada, poderia ter salvado o banco de Vorcaro da liquidação — mas também teria exposto o banco público a riscos financeiros significativos.

A proximidade entre Costa e Vorcaro, e a forma como as negociações foram conduzidas, estão no centro das investigações. A PF apura se houve pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para facilitar os negócios.

🏛️ A reação do governo do DF

Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário. “A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”, informou.

O governo não comentou o mérito das acusações, mas sinalizou que não intervirá no curso da investigação. A indicação de Costa ao cargo, em 2019, foi feita por Ibaneis Rocha, que governou o DF até 2022. O atual governador não foi mencionado nas investigações até o momento.

⚖️ Os próximos passos

Costa foi preso preventivamente nesta quinta-feira (16). A defesa do executivo afirmou que considera a prisão “desnecessária” e que examinará a decisão para tomar providências. Cabe recurso ao Tribunal Regional Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça.

A Operação Compliance Zero segue em andamento. A quarta fase cumpriu dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Outros envolvidos podem ser presos ou convocados a depor nas próximas semanas.

O Banco Central, que já vetou a compra do Master pelo BRB, também acompanha as investigações e pode adotar medidas administrativas contra o banco público, se forem identificadas falhas graves de governança.


Conclusão: mais um capítulo do escândalo Master

A prisão de Paulo Henrique Costa é mais um desdobramento de um escândalo que já atingiu o Banco Master, o INSS e agora alcança um banco público do Distrito Federal. O executivo, que conduziu a tentativa de compra do Master pelo BRB, é acusado de ignorar práticas de governança e de expor o banco público a riscos sem lastro.

A defesa de Costa promete recorrer, mas o episódio já mancha a trajetória de um dos principais nomes do mercado financeiro brasiliense. A investigação da PF, agora, deverá esclarecer se houve apenas má gestão — ou se, por trás dos negócios com o Master, havia um esquema de corrupção e pagamento de vantagens indevidas.

O BRB, controlado pelo governo do DF, segue sob nova gestão. O banco público tenta reconstruir sua imagem após o episódio. Mas o rastro deixado pela tentativa de compra do Master — e pela conduta de seu ex-presidente — ainda está longe de ser apagado.

Reportagem produzida com base em informações do G1 publicadas em 16 de abril de 2026

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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