Promessa quebrada: Lula irrita Alcolumbre ao não indicar Pacheco para o STF

Presidente não cumpriu acordo costurado nos bastidores para nomear o ex-presidente do Senado ao Supremo, gerando desgaste com a nova cúpula do Legislativo




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descumpriu uma promessa que vinha sendo costurada nos bastidores políticos desde o fim de 2025: a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Lula, revelada pela coluna de Cláudio Humberto no Diário do Poder, irritou profundamente o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que havia atuado como fiador do acordo.

A vaga em questão é a aberta com a aposentadoria do ministro Roberto Barroso, ocorrida em outubro de 2025. Desde então, Lula vinha sendo pressionado por diferentes alas do Congresso e do Judiciário para definir o nome. Pacheco, que encerrou seu mandato à frente do Senado em fevereiro de 2026, era dado como favorito — sobretudo por seu papel de articulador em momentos críticos do governo Lula, como a aprovação da reforma tributária.



🏛️ O acordo que não se concretizou

Segundo a coluna, Lula teria prometido a Pacheco, em encontros reservados, que o indicaria para a cadeira de Barroso. A promessa foi uma contrapartida pela lealdade do então presidente do Senado, que em 2024 e 2025 aprovou pautas prioritárias do governo e evitou a instalação de CPIs contra o Planalto.

Pacheco, por sua vez, já articulava sua saída do Senado para assumir a toga. Chegou a comunicar aliados que deixaria o cargo em março de 2026 para se dedicar à transição. A nomeação seria um coroamento de sua carreira política e jurídica.

No entanto, quando o momento de bater o martelo chegou, Lula recuou. Nos bastidores, o presidente teria sido influenciado por setores do PT e do próprio STF, que consideravam Pacheco um nome “muito político” para a Corte — apesar de ele ser bacharel em direito e ter atuado como advogado antes da vida pública.

😤 A irritação de Alcolumbre

Davi Alcolumbre, que assumiu a presidência do Senado em fevereiro de 2026, vinha sendo informado sobre os passos do acordo e teria atuado como intermediário entre Lula e Pacheco. Ao saber que o presidente descumpriu a promessa, Alcolumbre reagiu com “frieza e cobranças”, segundo a coluna.

A irritação de Alcolumbre tem motivos concretos. Primeiro, porque ele próprio é cotado para uma futura vaga no STF (quando houver nova aposentadoria), e a quebra de acordo com Pacheco lança dúvidas sobre a confiabilidade da palavra de Lula. Segundo, porque Alcolumbre vinha negociando pautas importantes do governo no Senado, como a reforma administrativa e o novo pacto federativo, usando a indicação de Pacheco como um dos argumentos de convencimento de aliados.

Agora, Alcolumbre se sente “queimado” politicamente, e a relação com o Planalto tende a se tornar mais tensa — o que pode dificultar a aprovação de projetos prioritários no segundo semestre de 2026, ano eleitoral.

⚖️ Quem deve ser o escolhido?

Com Pacheco descartado, Lula passou a avaliar outros nomes. Os mais cotados, segundo fontes ouvidas por Cláudio Humberto, são:

· Jorge Messias (Advogado-Geral da União): nome técnico, próximo a Lula, mas sem experiência judicial anterior.
· Alexandre de Moraes (ministro do STF): uma recondução? Impossível, pois não há vaga para ele. Na verdade, especula-se que Lula poderia indicar um nome de perfil mais técnico para agradar o mercado e setores do Judiciário.
· Augusto Aras (ex-PGR): nome que agrada setores conservadores, mas é rejeitado pela base do PT.
· Uma mulher negra: Lula declarou publicamente que gostaria de indicar uma mulher negra para o STF. A ministra do TSE Edilene Lobo e a desembargadora Simone Gomes são cotadas.

A decisão final deve sair até maio, pois a vaga está aberta há mais de cinco meses, e o STF tem funcionado com 10 ministros, causando desgastes em decisões de repercussão geral.

🗳️ O impacto político para 2026

A quebra de promessa a Pacheco e o consequente desgaste com Alcolumbre têm potencial de contaminar a base aliada de Lula no Congresso em pleno ano eleitoral. Pacheco, embora não seja mais presidente do Senado, ainda tem influência sobre a bancada do PSD — que é a maior do Senado e uma das maiores da Câmara. Sua insatisfação pode se traduzir em menor entusiasmo para aprovar medidas do governo.

Alcolumbre, por sua vez, pode adotar uma postura mais independente, atrasando votações ou impondo condições mais duras. Em 2026, Lula precisará do Congresso não apenas para governar, mas também para viabilizar sua campanha à reeleição — e para evitar que CPIs ou comissões de inquérito avancem contra o governo.

A oposição, especialmente o bolsonarismo, já se prepara para explorar o episódio como prova de que Lula “não honra acordos” e de que o governo está em desarranjo.



Um preço político que Lula pode pagar caro

A decisão de Lula de não indicar Rodrigo Pacheco ao STF foi mais do que um recuo em uma promessa pessoal. Foi um movimento que desorganizou a articulação política do governo no Senado e irritou um dos homens mais poderosos do Congresso, Davi Alcolumbre.

O presidente apostou em manter a vaga aberta por mais tempo ou em escolher um nome de perfil técnico ou identitário, mas subestimou o custo político de quebrar a palavra em um ambiente onde a confiança é moeda de troca. Agora, terá que conviver com um Senado menos previsível e com um PSD potencialmente menos cooperativo.

A vaga no STF continua vazia. O nome que Lula finalmente escolher — seja uma mulher negra, um jurista técnico ou um aliado de longa data — será lido também como um recado a Alcolumbre e a todo o Congresso: o governo ainda manda, mas com as portas da articulação mais rangendo do que nunca.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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