Irã afirma ter atingido caça F-15 que sobrevoava Estreito de Ormuz; vídeo mostra míssil acertando aeronave

Guarda Revolucionária diz que jato foi alvejado por defesas terra-ar perto da ilha de Ormuz; ainda não se sabe paradeiro da aeronave ou a qual país pertencia


O conflito no Oriente Médio entrou neste domingo (22) em seu 23º dia com um novo capítulo de alta tensão. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido um caça F-15 que sobrevoava a costa sul do país, nas proximidades da ilha de Ormuz, no estreito que leva o mesmo nome. A informação foi divulgada pelas agências estatais Irna e Tasnim, que também publicaram um vídeo do momento do ataque.

De acordo com o comunicado da Guarda Revolucionária, a aeronave foi detectada nos céus do sul do Irã e alvejada com sistemas de defesa aérea terra-ar. “Investigações sobre o destino da aeronave continuam”, afirmou o texto.

Ainda não se sabe, até a última atualização desta reportagem, se o caça foi abatido ou conseguiu pousar em alguma base. Também não foi informado a qual país pertencia a aeronave — tanto os Estados Unidos quanto Israel possuem o F-15 em suas frotas. Nenhum dos dois países se pronunciou oficialmente sobre o incidente.


🎥 As imagens do ataque

As agências estatais iranianas divulgaram um vídeo que mostra o momento do disparo. Nas imagens, é possível ver a silhueta de um jato — que se assemelha ao F-15 — travada na mira da defesa aérea. Em um take mais afastado, um rastro toma conta da aeronave, no que parece ter sido o impacto do míssil. A autenticidade das imagens não pôde ser verificada de forma independente.

A ilha de Ormuz, onde o caça foi detectado, pertence ao Irã e está localizada no estreito que é o principal gargalo para o escoamento do petróleo mundial — por onde passa cerca de 20% a 25% da produção global.

🚀 Uma semana de incidentes aéreos

O ataque ao F-15 não é um episódio isolado. Nos últimos dias, a Guarda Revolucionária já havia reivindicado outro incidente envolvendo uma aeronave americana. Segundo a imprensa internacional, um caça F-35 dos Estados Unidos — um dos modelos mais avançados do mundo — foi forçado a fazer um pouso de emergência em uma base norte-americana no Oriente Médio após ser alvejado por defesas iranianas.

A sequência de incidentes sugere que o Irã tem intensificado sua capacidade de detecção e ataque contra aeronaves que sobrevoam suas proximidades, desafiando a supremacia aérea da coalizão liderada pelos EUA.

🌍 A guerra em seu 23º dia

O conflito entre EUA e Israel contra o Irã completa 23 dias neste domingo, sem qualquer sinal de arrefecimento. A guerra foi desencadeada em 28 de fevereiro, quando ataques conjuntos mataram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Desde então, os países trocam bombardeios diariamente, com danos a territórios iraniano e israelense. O Irã também tem disparado mísseis e drones contra diversos países do Oriente Médio que abrigam bases militares dos EUA — incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Neste contexto, dezenas de jatos norte-americanos e israelenses — incluindo F-15, F-35 e outros modelos — sobrevoam o espaço aéreo do Irã e do Golfo Pérsico diariamente para realizar bombardeios e operações de vigilância.

O ultimato de Trump e a janela de 48 horas

O incidente com o F-15 ocorre poucas horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter publicado um ultimato ao Irã. Na noite de sábado (21), Trump afirmou na Truth Social que o país persa tem 48 horas para “reabrir completamente, sem ameaças, o estreito de Ormuz”. Caso contrário, ameaçou, os EUA “atacarão e destruirão suas usinas elétricas, começando pela maior”.

O prazo dado por Trump expira na noite de segunda-feira (23). O anúncio iraniano de que abateu uma aeronave americana — se confirmado — pode ser lido como uma resposta de força justamente nessa janela crítica de negociação militar.


Um tiro de alerta na hora decisiva

Se confirmado, o abate de um F-15 representaria um dos maiores golpes militares do Irã contra os EUA em décadas — e ocorre no momento exato em que Trump impõe um prazo fatal para a reabertura do Estreito de Ormuz.

Para Washington, a perda de uma aeronave de alto valor, com toda a carga simbólica e operacional que isso carrega, complica a equação militar. Mostra que a defesa aérea iraniana ainda é capaz de atingir alvos americanos, apesar de semanas de bombardeios que visavam justamente degradar essa capacidade.

Para Teerã, o episódio é uma demonstração de que mantém poder de fogo e vontade de enfrentar a coalizão liderada pelos EUA — mesmo sob a ameaça de ataques a suas usinas elétricas. É uma aposta de que Trump pode hesitar diante do custo humano e material de uma escalada ainda maior.

Enquanto o vídeo do míssil acertando o caça circula pelo mundo, os ponteiros do relógio se aproximam do fim do ultimato. O estreito de Ormuz segue bloqueado, os petroleiros continuam ancorados, e os F-15 restantes — que ainda sobrevoam a região — o fazem agora sob uma nuvem mais espessa de risco.

Reportagem produzida com base em informações do G1 publicadas em 22 de março de 2026

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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