Comunicado conjunto foi ampliado com novas adesões até sábado, em meio a ultimato de Trump e petróleo acima de US$ 100; nações afirmam que “interferência na navegação constitui ameaça à paz e à segurança internacionais”

Um grupo de 22 países divulgou um comunicado conjunto neste fim de semana condenando os ataques do Irã no Estreito de Ormuz e exigindo a retomada imediata da navegação comercial na rota mais estratégica para o petróleo mundial. O documento, inicialmente publicado na quinta-feira (19/3) e ampliado com novas adesões até sábado (21/3), ganhou contornos de uma coalizão internacional enquanto a crise no Oriente Médio aprofunda seus reflexos globais.
O pronunciamento ocorre em meio a uma escalada de tensões que já fez o preço do barril de petróleo ultrapassar os US$ 100 e levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dar um ultimato de 48 horas para que o Irã reabra “completamente” a rota, sob ameaça de ataques a usinas de energia iranianas.
🌍 A condenação: “nos termos mais fortes”
No texto, os países signatários afirmam condenar “nos termos mais fortes” os “ataques recentes do Irã a embarcações comerciais desarmadas no Golfo”, os ataques a infraestrutura civil, “incluindo instalações de petróleo e gás”, e o “fechamento de fato do estreito de Ormuz por forças iranianas”.
A declaração expressa “profunda preocupação com a escalada do conflito” e pede que Teerã interrompa “imediatamente” ameaças, lançamento de minas, ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear a passagem de navios comerciais.
Os países citam a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU para afirmar que a interferência na navegação internacional e a ruptura das cadeias globais de energia “constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais”. Por isso, cobram “moratória imediata e abrangente” contra ataques à infraestrutura civil, sobretudo instalações de petróleo e gás.
🚢 Liberdade de navegação como princípio fundamental
O comunicado reforça que “a liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional”, inclusive no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Os signatários também afirmam que os efeitos das ações iranianas “serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente as mais vulneráveis” – uma referência direta ao impacto sobre o abastecimento e os preços da energia, que afetam desproporcionalmente os países mais pobres.
O grupo se declara pronto para “contribuir com esforços apropriados para assegurar passagem segura pelo estreito” e saúda a decisão da Agência Internacional de Energia de autorizar a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo. Além disso, promete adotar outras medidas para estabilizar o mercado, inclusive com articulação com nações produtoras para elevar a oferta.
📋 Os 22 países signatários
O comunicado reúne uma coalizão que mistura potências ocidentais, aliados regionais e nações asiáticas:
- Alemanha
- Austrália
- Bahrein
- Canadá
- Coreia do Sul
- Dinamarca
- Emirados Árabes Unidos
- Eslovênia
- Estônia
- Finlândia
- França
- Holanda
- Itália
- Japão
- Letônia
- Lituânia
- Noruega
- Nova Zelândia
- Reino Unido
- República Tcheca
- Romênia
- Suécia
A presença de Bahrein e Emirados Árabes Unidos entre os signatários é particularmente significativa, pois são países do Golfo diretamente afetados pelos ataques iranianos e que abrigam bases militares americanas.
🇺🇸 O contexto: ultimato de Trump e petróleo a US$ 100
A declaração conjunta foi divulgada em um momento de pressão máxima sobre Teerã. Na sexta-feira (20/3), Donald Trump deu prazo de 48 horas para o Irã reabrir completamente o Estreito de Ormuz, sob ameaça de ataques a usinas de energia iranianas, “começando pela maior”. O ultimato reflete a crescente impaciência americana com os impactos econômicos da crise.
Os preços do petróleo já ultrapassaram US$ 100 por barril, e Trump anunciou na sexta-feira a suspensão temporária de sanções ao petróleo iraniano que já estava em trânsito, numa tentativa de conter as cotações – um movimento que revela a tensão entre a estratégia de isolamento do Irã e a necessidade de estabilizar os mercados globais.
🎯 O que está em jogo
O Estreito de Ormuz é o ponto de passagem de cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer bloqueio prolongado tem o potencial de provocar um choque nos preços da energia com repercussões globais. O fechamento “de fato” da rota pelas forças iranianas – como descreve o comunicado dos 22 países – já está afetando cadeias de abastecimento e pressionando economias ao redor do mundo.
Para o Irã, o controle do estreito é uma das poucas alavancas de pressão efetivas em um confronto assimétrico com os EUA e seus aliados. Mas a escalada recente – que inclui ataques a navios comerciais e infraestrutura civil – ampliou o custo político e econômico da estratégia iraniana, unindo nações ocidentais e árabes em um coro de condenação sem precedentes.
Um teste para a ordem global
A coalizão de 22 países em torno do comunicado representa um raro momento de unidade diplomática em meio a uma crise geopolítica de alta complexidade. Ao colocar a liberdade de navegação como princípio fundamental e citar resoluções da ONU, o grupo tenta construir uma base de legitimidade para eventuais medidas mais duras – inclusive militares – caso o Irã não atenda às demandas.
Para Donald Trump, que vem conduzindo uma política de máxima pressão contra Teerã, o respaldo internacional reforça seu discurso de que o Irã é o principal perturbador da estabilidade regional. Para os países árabes do Golfo, o comunicado é uma forma de sinalizar solidariedade à aliança com os EUA sem assumir publicamente compromissos militares que poderiam provocar retaliações iranianas diretas.
O prazo de 48 horas dado por Trump expira neste fim de semana. Se o Irã não ceder, a ameaça de ataques a usinas de energia pode se concretizar – levando o conflito a um novo patamar. Se ceder, pode buscar saída diplomática, mas sob condições que fragilizam sua posição de força no tabuleiro regional.
Uma coisa é certa: o mundo está de olho no Estreito de Ormuz, e os 22 países deixaram claro que, para eles, o que está em jogo vai além do Oriente Médio. É o princípio da liberdade de navegação, o direito internacional e a estabilidade dos mercados de energia que sustentam a economia global.
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