Terceira transferência em três dias ocorre por determinação do ministro André Mendonça, após pedido da PF alegando “necessidade de tutela da integridade física” do banqueiro

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixou na manhã desta sexta-feira (6) o presídio de Potim, no interior de São Paulo, com destino à Penitenciária Federal em Brasília. A transferência, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), marca a terceira mudança de unidade prisional do executivo em apenas três dias, desde que foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero.
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que argumentou haver “necessidade premente de tutela da integridade física do custodiado” – ou seja, risco à segurança de Vorcaro caso permaneça no sistema prisional paulista.
📍 O itinerário da prisão: três unidades em 72 horas
Desde a última quarta-feira (4), quando teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, Vorcaro percorreu um verdadeiro circuito pelo sistema prisional:
- Centro de Detenção Provisória de Guarulhos: primeira parada após a prisão, na região metropolitana de São Paulo
- Presídio de Potim: unidade no interior paulista para onde foi transferido inicialmente
- Penitenciária Federal em Brasília: destino final nesta sexta-feira, a cerca de 1.000 km de distância do ponto de partida
A operação de transferência envolve um plano cuidadosamente montado pela Polícia Penal Federal, com etapas aéreas e terrestres de escolta. Vorcaro será entregue inicialmente pela Polícia Penal de São Paulo à Polícia Federal, que fará o transporte em um avião de pequeno porte da instituição até a capital federal.
🏢 O novo endereço: uma cela de adaptação e isolamento
A Penitenciária Federal em Brasília, unidade de segurança máxima que agora abrigará o banqueiro, possui 208 celas individuais de seis metros quadrados. Antes de ocupar um desses espaços, porém, Vorcaro passará por um período de adaptação de 20 dias em uma cela maior, com nove metros quadrados, onde ficará isolado.
O procedimento é padrão para novos detentos em penitenciárias federais, especialmente em casos que envolvem figuras de alto perfil ou com riscos de segurança específicos.
⚖️ Os critérios para uma transferência federal
A ida de Vorcaro para o sistema penitenciário federal não é automática. De acordo com um decreto presidencial de 2009, a transferência para uma unidade de segurança máxima como a de Brasília exige que o preso se enquadre em pelo menos um dos seguintes critérios:
- Ter desempenhado função de liderança ou participação relevante em organização criminosa
- Ter praticado crime que coloque em risco sua integridade física no ambiente prisional de origem
- Estar submetido ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD)
- Ser membro de quadrilha ou bando envolvido na prática reiterada de crimes com violência ou grave ameaça
- Ser réu colaborador ou delator premiado, desde que essa condição represente risco à sua integridade física
- Estar envolvido em incidentes de fuga, violência ou grave indisciplina no sistema prisional de origem
No caso de Vorcaro, o pedido da PF fundamentou-se especificamente no risco à integridade física – o que, na prática, reconhece que a permanência do banqueiro no sistema prisional paulista poderia expô-lo a ameaças ou ataques.
Conclusão: segurança máxima para um banqueiro sob investigação
A transferência de Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília representa mais um capítulo na complexa trama que envolve o dono do Banco Master, o ministro Alexandre de Moraes e as investigações em curso no STF.
Ao optar por enviar o banqueiro para uma unidade de segurança máxima fora de São Paulo, a Justiça sinaliza que enxerga no caso elementos que vão além de uma prisão comum – seja pela gravidade das acusações, seja pela necessidade de proteger um detento cuja segurança pode estar ameaçada justamente por aquilo que sabe ou representa.
Nos próximos 20 dias, Vorcaro cumprirá o período de adaptação em isolamento, sob monitoramento constante. Depois, seguirá para uma das celas individuais da penitenciária, onde aguardará os desdobramentos do processo que o levou da sala da presidência de um dos bancos mais polêmicos do país a uma cela federal – uma trajetória que, para muitos analistas, está longe de ter seu capítulo final escrito.
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