Irmão de Toffoli Anuncia Venda de Participação em Resort Ligado a Investigados do Caso Master

O empresário José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, afirmou nesta quinta-feira (22.jan.2026) que a empresa da família, a Maridt Participações, não faz mais parte do resort de luxo Tayayá, no Paraná. A participação, que já foi de um terço no empreendimento, foi vendida em duas etapas: uma parte em 2021 e a restante em fevereiro de 2025.

O fato ganha relevância porque a primeira venda foi para um fundo de investimento ligado ao Banco Master, alvo central de investigações que têm o ministro Toffoli como relator no STF.

A seguir, os detalhes da operação e as conexões que cercam o caso:

Período da VendaCompradorValor (informado pela imprensa)Contexto do Comprador
Setembro de 2021Fundo Arllen (controlado pela Reag Investimentos)Mais de R$ 3 milhõesA Reag é administradora ligada ao Banco Master, citada em operações da PF por suspeita de lavagem de dinheiro.
Fevereiro de 2025PHD Holding (do advogado Paulo H. Costa)Não divulgadoAdvogado que atua para a JBS, controlada pelos irmãos Batista.

🔗 As Conexões com o Caso Master

A nota do irmão do ministro surge em um momento de extrema sensibilidade. O Fundo Arllen, que comprou a primeira parte das cotas em 2021, é controlado pela Reag Investimentos. A Reag é peça-chave nas investigações da PF sobre o Banco Master e foi alvo da operação Carbono Oculto em agosto de 2025, sob suspeita de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro.

Além disso, reportagens apontam que outro fundo de investimento que comprou parte da participação da família Toffoli pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. Zettel foi preso preventivamente em 14 de janeiro por determinação do próprio ministro Dias Toffoli, na segunda fase da Operação Compliance Zero.

🏖️ O Ministro, a Família e o Resort

Apesar da venda das cotas da empresa familiar, reportagens indicam que o ministro Dias Toffoli continuou visitando o resort Tayayá após as transações, uma vez que é proprietário de uma casa no condomínio anexo ao hotel. As visitas, em sua maioria, ocorreram durante os recessos do Judiciário.

Na nota, José Eugênio Toffoli afirma que todas as operações foram declaradas à Receita Federal e que a Maridt não possui mais qualquer participação no Grupo Tayayá. O caso ilustra como as relações familiares e negociais de autoridades podem se tornar alvo de escrutínio público, especialmente quando se aproximam, mesmo que temporalmente desconexas, de figuras centrais em grandes investigações.

Esse desdobramento ocorre no mesmo dia em que a PF deflagrou a Operação Barco de Papel contra o Rioprevidência, fundo que aplicou R$ 1 bilhão no Banco Master. O “Caso Master” continua a se expandir e a gerar novos capítulos.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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