Lula é convidado para Conselho de Paz de Gaza, mas projeto prevê contribuição bilionária para cargo vitalício

Presidente brasileiro recebeu convite de Donald Trump, mas ainda não se posicionou sobre participação no grupo internacional.

Trump fez convite para brasileiro no sábado (Foto: Ricardo Stuckert, PR, Arquivo NSC)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um “Conselho de Paz da Faixa de Gaza”. O convite, feito no último sábado (17), coloca o Brasil como um dos possíveis membros de um grupo que reunirá líderes e ex-líderes mundiais para discutir o futuro do território palestino.

No entanto, de acordo com o projeto de estatuto do conselho obtido pela agência de notícias Reuters, países que desejarem uma participação permanente — além do mandato inicial de três anos — precisariam contribuir com US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em fundos em dinheiro.

Conflito de informações e posição brasileira

Em nota oficial divulgada no último sábado, a Casa Branca negou a existência de qualquer “taxa mínima de adesão” para ingresso no conselho. A publicação, feita na rede social X, afirmou que o projeto “simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”.

Fontes próximas ao governo brasileiro afirmam que o presidente Lula ainda não tomou uma decisão sobre o convite. A expectativa é que ele avalie a proposta na próxima semana e só se manifeste publicamente após definir sua posição.

Composição e objetivos do conselho

O chamado “conselho da paz” foi anunciado por Donald Trump na sexta-feira (16) como parte da segunda fase de um plano respaldado por Washington para encerrar a guerra em Gaza. Segundo a Casa Branca, o grupo discutirá questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Além de Lula, foram convidados o presidente da Argentina, Javier Milei — que já aceitou publicamente, descrevendo a participação como “uma honra” —, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional. O próprio presidente dos EUA presidirá o órgão.

Contexto mais amplo

O anúncio do conselho ocorre em meio a outras movimentações da política externa norte-americana. No mesmo período, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% a países que mantiverem relações comerciais com o Irã, medida que passa a valer imediatamente e pode impactar parceiros econômicos dos Estados Unidos.

Paralelamente, o major-general americano Jasper Jeffers foi designado para dirigir uma Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza, com a missão de manter a segurança no território e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas.

O convite a Lula representa um reconhecimento internacional de sua atuação diplomática, mas coloca o governo brasileiro diante de uma decisão complexa, que envolve considerações sobre política externa, compromissos financeiros e o papel do Brasil em um dos conflitos mais delicados do cenário internacional. A resposta deverá sinalizar a direção que o país pretende tomar em sua inserção global nos próximos anos.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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