Acordo UE-Mercosul Promete Impacto no Bolso do Brasileiro e Nova Era para Exportações

Após mais de 25 anos de negociações, a assinatura histórica do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para este sábado (17), promete redefinir as relações econômicas entre os dois blocos e gerar efeitos concretos no cotidiano dos brasileiros. O tratado, que abrange um mercado de 720 milhões de consumidores e cerca de 25% do PIB global, deve tornar produtos europeus mais acessíveis nas prateleiras nacionais, enquanto abre portas sem precedentes para itens brasileiros no exigente mercado europeu, com impacto estimado de US$ 7 bilhões nas exportações do país.

Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — Foto: Imagem: TV Globo

Para o consumidor final, o acordo deve traduzir-se em maior variedade e potencial redução de preços de produtos importados. Itens como vinhos, queijos, azeites, chocolates premium e lácteos europeus devem chegar ao Brasil com tarifas menores, tornando-se mais competitivos. A taxação sobre carros importados da UE, hoje em 35%, será zerada gradualmente em até 15 anos, prometendo baratear esses veículos no longo prazo. Medicamentos e produtos farmacêuticos, principal item importado da Europa pelo Brasil, também devem sentir os efeitos da desoneração, embora especialistas alertem que a queda de preços será gradual, especialmente em bens complexos com cadeias globais de suprimentos.

Do lado da produção, a indústria e o agronegócio brasileiros se preparam para uma dupla transformação. Por um lado, o acesso a tecnologias, máquinas, equipamentos e insumos europeus com tarifas reduzidas deve diminuir custos operacionais e estimular investimentos em modernização. Por outro, setores exportadores tradicionais ganham fôlego: as tarifas sobre calçados brasileiros na UE (de 3% a 7%) serão zeradas em até quatro anos, e sobre frutas como a uva (14%) serão eliminadas imediatamente após a vigência do acordo. O tratado cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar significativamente as vendas de carnes, etanol e outros produtos agrícolas.

O acordo UE-Mercosul representa muito mais do que um marco diplomático; é um divisor de águas econômico com o poder de alterar padrões de consumo, competitividade industrial e a posição do Brasil no comércio global. Enquanto o consumidor se beneficia com uma futura mesa mais diversificada e potencialmente mais barata, os setores produtivos nacionais enfrentam o duplo desafio de aproveitar as novas oportunidades de exportação e se adaptar à concorrência europeia que chega com força redobrada.

Estimativas do Ipea apontam que o Brasil deve ser o principal beneficiado, com um incremento de 0,46% no PIB até 2040. No entanto, o sucesso dessa integração dependerá da capacidade do país em realizar os ajustes necessários, investir em produtividade e garantir que os ganhos de eficiência e acesso a mercados se traduzam em desenvolvimento sustentável e benefícios disseminados para toda a população. O acordo está assinado; agora começa a complexa tarefa de fazê-lo render frutos para a economia brasileira.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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