Em mais uma reviravolta nos embates institucionais que marcam o Caso Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou, nesta quinta-feira (15), que a Polícia Federal (PF) realize a perícia técnica do material apreendido na Operação Compliance Zero. A decisão representa o segundo recuo do ministro em menos de 24 horas em relação ao destino dos itens coletados, após uma série de determinações que criaram atrito com a força-tarefa investigativa e geraram incerteza sobre o ritmo das apurações.

A trajetória das decisões de Toffoli criou um cenário de instabilidade processual. Inicialmente, após autorizar a operação, o ministro determinou que todos os itens apreendidos – incluindo celulares e documentos – fossem lacrados e enviados diretamente para a sede do STF em Brasília, barrando o acesso imediato da PF. Em um primeiro recuo, ainda na quarta-feira (14), ele reviu a ordem e transferiu a custódia do material para o Ministério Público Federal (MPF), determinando que fosse a Procuradoria-Geral da República a acompanhar a extração de dados.
O novo despacho desta quinta, no entanto, é mais permissivo e atende a uma demanda central dos investigadores. Toffoli autorizou explicitamente que quatro peritos nomeados da Polícia Federal tenham “livre acesso ao material apreendido” para realizar os trabalhos periciais. A decisão ressalta que a análise deve contar com o apoio e acompanhamento do MPF, mantendo o órgão no circuito, mas devolvendo à PF a função executiva da perícia.
A operação, que cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, tem como alvo central o banqueiro Daniel Vorcaro, sua família e outros investigados por suspeitas de fraudes financeiras de grande monta no Banco Master. A indefinição sobre quem e como analisaria as provas havia gerado preocupação sobre possíveis atrasos na investigação e até a perda de informações sensíveis em dispositivos eletrônicos.
A sequência de decisões do ministro Toffoli no Caso Master expõe as tensões e os delicados equilíbrios de competência entre as instituições do sistema de justiça. Se, por um lado, a autorização final para a perícia da PF parece aliviar a crise e destravar o andamento técnico da investigação, por outro, o percurso até essa definição deixou marcas de instabilidade e pulso político.
O episódio serve como um alerta sobre como disputas de foro e procedimento podem impactar investigações complexas, criando ruído e abrindo flanco para futuros questionamentos sobre a regularidade do processo. A apuração sobre o Banco Master segue seu curso, mas agora sob o peso de um começo conturbado que evidenciou as fragilidades na coordenação entre o STF, o MPF e a Polícia Federal em casos de alta relevância nacional.
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