Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (15) revela que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura e deportação do presidente Nicolás Maduro, divide a opinião pública brasileira. Conduzida entre os dias 8 e 11 de janeiro, o estudo aponta que 46% dos brasileiros aprovam a ação, enquanto 39% a desaprovam. A operação, que bombardeou Caracas e levou Maduro para julgamento em Nova York sob acusação de narcotráfico, expõe uma profunda polarização no país, fortemente alinhada às preferências políticas dos entrevistados.

A divisão de opinião segue um claro alinhamento ideológico. Entre os bolsonaristas e a direita não bolsonarista, a aprovação é maciça, atingindo 71% e 74%, respectivamente. Em contraste, os lulistas e a esquerda não lulista manifestam forte rejeição, com índices de desaprovação de 62% e 65%. Os eleitores independentes apresentam um perfil mais equilibrado, com 44% de aprovação e 35% de desaprovação.
A principal motivação atribuída pelos brasileiros à ação de Trump é o combate ao narcotráfico, citado por 31% dos entrevistados. Outros 23% acreditam que o objetivo foi restaurar a democracia, e 21% veem a ação como uma tentativa de controlar o petróleo venezuelano. A pesquisa ainda investigou a aceitação de princípios: metade dos brasileiros (50%) considera aceitável que um país interfira em outro para prender um ditador, enquanto 41% rejeitam essa premissa.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país, apresentando margem de erro de 2 pontos percentuais. A alta penetração da notícia foi confirmada, com 76% dos entrevistados declarando ter conhecimento prévio da intervenção.
Os números da Quaest traduzem em dados a profunda cisão política que marca o Brasil, mostrando como um evento geopolítico de alta complexidade é filtrado pelas lentes da polarização doméstica. A relativa maioria de aprovação à ação militar americana sinaliza uma mudança significativa no tradicional discurso brasileiro de defesa da soberania e não-intervenção, refletindo tanto o desgaste internacional do regime de Maduro quanto a influência da retórica de Trump na região.
O fato de metade da população considerar aceitável a intervenção externa para depor um ditador pode ter implicações de longo prazo para a política externa brasileira e para o debate sobre direitos humanos e soberania. Enquanto o julgamento de Maduro segue seu curso nos EUA, o debate no Brasil continuará ecoando as mesmas divisões que marcaram a política nacional nos últimos anos, transformando um conflito internacional em mais um capítulo da disputa ideológica interna.
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