Erfan Soltani, um comerciante de 26 anos preso em 8 de janeiro durante os protestos no Irã, pode se tornar o primeiro manifestante executado na atual onda de manifestações que abala o regime islâmico. Segundo relatos de sua família ao grupo curdo de direitos humanos Hengaw, Soltani foi condenado à morte em um processo sumário de apenas dois dias, com execução marcada inicialmente para 14 de janeiro – data posteriormente adiada. O caso, negado pela mídia estatal iraniana, gerou ameaças de retaliação do presidente dos EUA, Donald Trump, e expõe a escalada da repressão em meio a um apagão de informações.

Soltani foi detido em sua casa na cidade de Fardis, a oeste de Teerã, onde mantém uma loja de roupas. De acordo com a irmã dele, advogada que tentou intervir no caso, as autoridades não permitiram qualquer contato familiar ou defesa legal, alegando apenas que a prisão estava “conectada a um protesto”. A Hengaw, sediada na Noruega, alerta que o tratamento “apressado e não transparente” viola o direito internacional e pode ser replicado contra outros detidos.
O bloqueio da internet imposto pelo regime dificulta a verificação de informações, mas organizações de direitos humanos já contabilizam números alarmantes: a agência HRANA confirma 2.417 mortes de manifestantes, além de 18.434 prisões. Awyer Shekhi, porta-voz da Hengaw, teme que “muitos” estejam em situação similar à de Soltani, dada a velocidade da repressão.
A resposta internacional foi imediata. Donald Trump ameaçou “medidas muito severas” caso execuções ocorressem, mas na quinta-feira (15/1) afirmou acreditar que a “matança parou”. Horas antes, a mídia estatal iraniana negou a sentença de morte, classificando-a como “notícia falsa”. O Departamento de Estado dos EUA alertou no X (em farsi): “Erfan é o primeiro, mas não será o último”.
Contexto Histórico e Padrão de Execuções
O caso de Soltani ecoa um padrão do regime iraniano. Nos últimos três anos, 12 homens foram executados após condenações ligadas aos protestos “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022. A última execução conhecida foi a de Mehran Bahramian, enforcado em setembro de 2025 após um julgamento considerado injusto. O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, prometeu “ação rápida” contra “manifestantes violentos”, com julgamentos públicos.
Os protestos atuais, que já atingiram 180 cidades, começaram com reclamações econômicas – colapso da moeda e custo de vida – mas rapidamente se tornaram um desafio político ao regime clerical, comparado por analistas à Revolução Islâmica de 1979.
O caso de Erfan Soltani sintetiza a brutalidade e a opacidade da repressão iraniana. Enquanto o regime tenta controlar a narrativa com negações e censura, a comunidade internacional acompanha com alarme a possibilidade de execuções em massa como ferramenta de intimidação.
Como resume Shekhi, da Hengaw, Soltani “é apenas alguém que se opõe à situação atual… e recebeu uma sentença de morte por expressar sua opinião”. Seu destino pode definir não apenas o futuro dos protestos, mas também os limites da resposta global a um regime disposto a sacrificar vidas para manter o poder. Enquanto a internet permanece cortada e famílias desesperadas buscam informações, o mundo aguarda para ver se a pressão internacional será capaz de frear uma nova onda de execuções políticas.
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