O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou Cuba neste domingo (11/01) com um alerta direto: o país deve “fazer um acordo antes que seja tarde”, sob o risco de ver cortado o fluxo vital de petróleo e recursos financeiros que recebe da Venezuela. A declaração, feita em sua plataforma Truth Social, representa uma escalada significativa na pressão dos EUA sobre Havana, em um momento em que a atenção de Trump se volta para a América Latina após a operação militar que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

O cerne da ameaça de Trump é o fim do envio de cerca de 35 mil barris de petróleo por dia que a Venezuela, uma aliada de longa data, historicamente fornece a Cuba. Em sua publicação, o presidente americano foi enfático: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO PARA CUBA – ZERO!”. A justificativa apresentada é que, com Maduro fora do poder e sob custódia dos EUA, a Venezuela não precisa mais dos “Serviços de Segurança” que Cuba oferecia ao seu governo.
O ataque que prendeu Maduro em 3 de janeiro já deixou marcas profundas. O governo cubano afirmou que 32 de seus cidadãos, que integravam a equipe de segurança do líder venezuelano, foram mortos durante a operação americana em Caracas. O presidente Miguel Díaz-Canel homenageou os mortos como “bravos combatentes” que enfrentaram “terroristas em uniformes imperiais”. Trump, por outro lado, minimizou as perdas, afirmando que “a maioria desses cubanos morreu” e que a Venezuela agora tem a proteção dos EUA.
Embora Trump não tenha especificado os termos de um possível “acordo” ou as consequências exatas para Cuba, sua postura é clara: trata-se de uma aplicação da chamada “Doutrina Donroe” – uma releitura pessoal da antiga Doutrina Monroe, que promove a supremacia americana no hemisfério ocidental. A tática de asfixia econômica já começou a mostrar efeitos, com o confisco de petroleiros venezuelanos agravando a crise de combustível e energia na ilha.
A retórica agressiva não se limita a Cuba. Desde a prisão de Maduro, Trump voltou suas atenções para outros países da região, ameaçando uma operação militar contra a Colômbia e oferecendo tropas americanas ao México para combater cartéis – proposta rejeitada publicamente pela presidente Claudia Sheinbaum. O secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos, reforçou a pressão, dizendo que os líderes de Havana “estão em grandes apuros”.
As ameaças de Trump a Cuba marcam um novo capítulo de tensão máxima nas já conturbadas relações entre os dois países, revertendo qualquer avanço diplomático obtido em anos anteriores. Ao utilizar a prisão de Maduro como alavanca, o governo americano busca redefinir à força as alianças e a dinâmica de poder na América Latina, com a economia cubana como um alvo imediato.
O silêncio inicial do governo cubano ante o ultimato contrasta com a gravidade da situação. Enquanto Trump sinaliza uma política externa baseada em pressão unilateral e intimidação, Cuba enfrenta uma das maiores crises energéticas e políticas de sua história recente. O desfecho deste confronto – seja por um acordo forçado, seja por um colapso interno – terá repercussões profundas não apenas para o povo cubano, mas para todo o equilíbrio geopolítico na região.
MINHA CAPITAL Notícias, dicas e muito mais – Brasília!