Em um discurso radicalizado em Nova Hampshire, o candidato republicano Donald Trump ameaçou ordenar ataques terrestres do Exército dos Estados Unidos contra cartéis de drogas em território mexicano, caso seja reeleito. A declaração, que ignora acordos bilaterais e a soberania do México, gerou reações imediatas do governo mexicano e acendeu um alerta sobre uma possível escalada militar na região. Trump justificou a medida como necessária para combater a “invasão de fentanil” que, segundo ele, mata 200 americanos por dia.

Os Detalhes da Ameaça
Em comício para apoiadores, Trump afirmou: “Vamos caçar os cartéis em seu próprio território. Se o México não cooperar, enviaremos nossas tropas para fazer o trabalho sujo”. O plano, conforme esboçado, incluiria:
- Operações terrestres e aéreas em supostos esconderijos de cartéis.
- Captura ou eliminação de líderes criminosos.
- Bloqueio financeiro a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
A retórica ecoa propostas anteriores de Trump, que em 2025 já autorizou ataques com drones no México, resultando na morte de civis e na condenação da Corte Internacional de Justiça.
Reação Mexicana e Tensão Diplomática
O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, respondeu em rede nacional: “Nenhum país tem o direito de violar nossa soberania. Isso seria um ato de guerra”. O chanceler Marcelo Ebrard convocou o embaixador americano para explicações e alertou para “consequências graves” se houver incursões militares.
Analistas apontam que o México poderia retaliar com:
- Suspensão da cooperação antidrogas (que rende 300 prisões anuais).
- Revisão do USMCA, o acordo de livre comércio da América do Norte.
- Apoio a ações legais contra os EUA em cortes internacionais.
Contexto Eleitoral e Críticas Internas
A ameaça ocorre a 4 meses das eleições nos EUA, onde Trump lidera as pesquisas em estados-chave. Críticos acusam:
- Estratégia eleitoreira: Usar o tema da segurança para mobilizar a base conservadora.
- Risco de guerra não declarada: Violação do direito internacional.
- Hipocrisia: Trump omitiu que 90% do fentanil apreendido nos EUA entra por portos oficiais, não pela fronteira.
Até aliados republicanos, como o senador Ted Cruz, manifestaram preocupação: “Apoiamos combate aos cartéis, mas não sem coordenação com o México”.
Impacto Regional e Precedentes Perigosos
- Brasil e Colômbia temem “efeito dominó” com militarização de fronteiras.
- ONU alerta para violação da Carta das Nações Unidas (Artigo 2º, sobre soberania).
- Precedente: Em 2024, um ataque de drone dos EUA no México matou 5 civis, incluindo crianças, e não foi punido.
A ameaça de Trump representa a escalada mais grave nas relações EUA-México desde a Guerra Mexicano-Americana (1846-1848). Enquanto o candidato apela ao eleitorado com promessas de força, governos latino-americanos se mobilizam para conter uma intervenção que poderia desestabilizar a região.
Como resumiu Laura Richardson, ex-comandante do Comando Sul dos EUA: “Cartéis são um problema transnacional, mas soluções unilaterais criam guerras, não paz”. O episódio testa novamente os limites da diplomacia em um cenário onde campanhas eleitorais priorizam retórica inflamada em vez de cooperação estratégica.
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