A noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira (24) se transformaram em um pesadelo para milhares de mineiros. As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata causaram uma tragédia de grandes proporções, com um salto assustador de mortes, desabrigados e desaparecidos. Em Juiz de Fora, o volume de chuva recorde provocou deslizamentos de terra que soterraram casas e até parte de um prédio, resultando em 16 mortes confirmadas. No município vizinho de Ubá, outras sete pessoas perderam a vida. Ao todo, 23 mortes foram registradas até o início da manhã, além de 45 desaparecidos e mais de 440 desabrigados apenas na principal cidade atingida.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou estado de Calamidade Pública, válido por 180 dias, em uma tentativa de agilizar o recebimento de recursos federais e estaduais para o socorro às vítimas e a reconstrução da cidade. “É uma situação extrema que exige medidas extremas”, declarou a prefeita, visivelmente abalada, em pronunciamento. “Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. É uma situação de calamidade.”
Chuva Histórica e Cenário de Guerra
Os números explicam a magnitude da destruição. Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva em fevereiro, o que já faz deste o mês mais chuvoso da história da cidade, superando o recorde anterior de 1988 (456 mm). O volume representa impressionantes 270% do esperado para todo o mês, que era de 170,3 mm.
As consequências foram trágicas e espalhadas por diversos bairros. Segundo a prefeitura, os deslizamentos que deixaram vítimas fatais ocorreram no JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Uma das imagens mais fortes veio do bairro Paineiras, onde a queda de um barranco soterrou parte de um prédio e duas casas. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais trabalha ininterruptamente, com reforço de 20 militares especializados de Belo Horizonte, além de cães de busca, para localizar os 45 desaparecidos.
Resposta Federal e Mobilização Geral
A dimensão da tragédia mobilizou as três esferas de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava em escala nos Emirados Árabes durante voo de volta da Ásia, telefonou para a prefeita Margarida Salomão. “Estou aqui no aeroporto dos Emirados Árabes, querida. Acabei de saber dessa notícia. (…) Você pode contar com 100% do nosso apoio”, disse o presidente, que determinou a pronta mobilização de ministros. O governo federal já reconheceu o estado de calamidade pública, liberando caminho para ajuda humanitária e recursos.
O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias em todo o estado. O vice-governador, Mateus Simões (PSD), deslocou-se imediatamente para a região para acompanhar os resgates. “A situação é dramática… Não há previsão de interrupção das chuvas até sexta-feira. Eu preciso que a população tenha muito cuidado na região, saiam imediatamente das áreas de encosto ou das áreas de risco, procurem abrigo”, alertou Simões.
Em Juiz de Fora, três escolas municipais foram transformadas em pontos de acolhimento para os desabrigados: Paulo Rogério dos Santos, Murilo Mendes e Camilo Ayupe. As aulas na rede municipal foram suspensas e servidores autorizados a trabalhar remotamente.
Ubá também sofre com enchentes e perdas
Na cidade vizinha de Ubá, na mesma Zona da Mata, a situação também é crítica. Sete mortes foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros. A enchente que atingiu o município forçou a suspensão dos serviços de saúde, incluindo a Farmácia Municipal, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e a Policlínica Regional. Apenas os atendimentos de hemodiálise foram mantidos, dentro das condições possíveis.
A tragédia em Minas Gerais escancara a vulnerabilidade de áreas urbanas a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos. Enquanto as equipes de resgate vasculham os escombros em busca de sobreviventes, a prioridade imediata é salvar vidas e amparar as centenas de famílias que perderam tudo. A reconstrução, material e emocional, será longa.
· Números da Tragédia: Pelo menos 23 mortos (16 em Juiz de Fora, 7 em Ubá), 45 desaparecidos e mais de 440 desabrigados.
· Chuva Recorde: Juiz de Fora registrou 584 mm em fevereiro, o maior volume da história, equivalente a 270% da média esperada.
· Locais Atingidos: Os deslizamentos fatais ocorreram em diversos bairros de Juiz de Fora (JK, Santa Rita, Paineiras, entre outros). Em Ubá, enchentes e mortes também foram registradas.
· Ação do Poder Público: Prefeitura decretou Calamidade Pública; governo federal e estadual mobilizam recursos e equipes de resgate. Luto oficial de três dias em Minas.
· Como Ajudar ou Buscar Abrigo: Em Juiz de Fora, as escolas municipais Paulo Rogério dos Santos, Murilo Mendes e Camilo Ayupe estão funcionando como pontos de acolhimento para desabrigados. A população em áreas de risco deve procurar abrigo imediatamente.
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