Presidente americano afirma que iranianos “não vão rir mais” e que derrotaria o país “em duas semanas”; Pezeshkian responde: “nunca nos curvaremos”; conflito completa mais de dois meses sem solução à vista

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (10) como “totalmente inaceitáveis” as condições apresentadas pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, pondo fim às esperanças de um cessar-fogo definitivo após semanas de negociações mediadas pelo Paquistão. A rejeição da proposta iraniana fez o preço do petróleo voltar a disparar nesta segunda-feira (11), com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 104.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu Trump em sua rede Truth Social. Em uma publicação anterior, o presidente americano acusou a república islâmica de “rir” dos Estados Unidos, e ameaçou: “Eles não vão rir mais!”
O impasse diplomático ocorre mais de um mês após o início de um cessar-fogo temporário, em 8 de abril, e cerca de dois meses e meio após o início da guerra, desencadeada pelos ataques de Israel e dos EUA contra o Irã em 28 de fevereiro. O conflito já deixou milhares de mortos, desestabilizou a economia global e paralisou grande parte do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
📜 A proposta iraniana e a rejeição americana
A agência oficial de notícias Irna informou que Teerã enviou, por meio do mediador paquistanês, sua resposta à última proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos. A resposta iraniana se concentra em “pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima” no Golfo e no Estreito de Ormuz, mas Trump não deu detalhes sobre quais condições considerou inaceitáveis.
Nos bastidores, fontes indicam que as exigências iranianas incluem:
- Fim total das sanções econômicas dos EUA contra o Irã
- Reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio para fins pacíficos
- Controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, com restrições à presença de navios de guerra estrangeiros
- Pagamento de indenizações pelos danos causados pela guerra
- Retirada das tropas americanas da região
Estes termos são repetidamente rejeitados por Washington, que exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do financiamento a grupos aliados (como Hezbollah e Hamas) e a criação de uma zona marítima livre no estreito.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, respondeu às críticas de Trump em publicação no X (antigo Twitter): “Nunca nos curvaremos diante do inimigo. Se se fala em diálogo ou negociação, isso não significa rendição nem retirada.”
🛢️ Petróleo dispara e mercados temem escalada
A falta de acordo e a perspectiva de retomada dos combates preocuparam os mercados mundiais de energia nesta segunda-feira. O barril do petróleo Brent, referência internacional, avançou 2,69%, chegando a US$ 104,01 para entrega em julho.
A alta reflete o temor de que o Irã mantenha o bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — e de que os EUA intensifiquem os ataques após o fracasso das negociações.
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu que “a moderação do Irã acabou a partir de hoje”. “Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas”, escreveu no X.
💥 Novos ataques no Golfo e no Líbano
Enquanto as negociações fracassam, os confrontos continuam. Neste domingo (10), vários alvos no Golfo foram atingidos, incluindo um cargueiro que navegava em direção ao Catar. A agência iraniana Fars informou que o navio “navegava sob bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos”.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram formalmente o Irã de ser responsável por um ataque que teve como alvo seu território. O Kuwait também relatou uma tentativa de ataque que foi neutralizada.
No Líbano, o Ministério da Saúde informou que dois paramédicos do Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao Hezbollah, morreram e outros cinco ficaram feridos por bombardeios israelenses, apesar do cessar-fogo temporário em vigor.
🌍 A coalizão internacional e o papel de França e Reino Unido
França e Reino Unido buscam criar uma coalizão internacional para garantir a segurança do Estreito de Ormuz quando — ou se — um acordo de paz for firmado. Nesta terça-feira (12), os dois países receberão ministros da Defesa de cerca de 40 nações para discutir planos militares para restabelecer os fluxos comerciais na região.
No entanto, o Irã advertiu que França e Reino Unido enfrentarão “uma resposta decisiva e imediata” se enviarem seus navios para o estreito. “Somente a República Islâmica do Irã pode garantir a segurança neste estreito e não permitirá que nenhum país interfira nesses assuntos”, publicou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Qaribabadi.
O presidente da França, Emmanuel Macron, tentou amenizar a tensão, afirmando que seu país nunca “considerou” um destacamento naval militar no estreito e que seu plano era uma missão de segurança “combinada com o Irã”.
⏳ Netanyahu: “A guerra não terminou”
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também reafirmou, em entrevista divulgada neste domingo, que a guerra com o Irã “não terminou”. “Ainda resta material nuclear – urânio enriquecido – que precisa ser retirado do Irã. Ainda há instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, argumentou.
Netanyahu pressiona Trump para que os EUA mantenham a opção militar sobre a mesa, mesmo diante das negociações de paz. Para o premiê, qualquer acordo que não desmantele o programa nuclear iraniano é uma “capitulação”.
Trump, por sua vez, afirmou em entrevista gravada divulgada neste domingo que precisaria de apenas “duas semanas” para atacar “cada um dos alvos restantes” no Irã, insistindo que o país já está “militarmente derrotado”.
Guerra sem fim à vista
A declaração de Trump de que a proposta iraniana é “totalmente inaceitável” enterra, pelo menos por ora, as esperanças de um acordo de paz definitivo. O cessar-fogo de 8 de abril, que nunca foi totalmente respeitado, agora corre o risco de ser rompido por completo.
O Irã já sinalizou que sua “moderação acabou”. Os ataques no Golfo recomeçaram. O petróleo disparou. E as tropas americanas permanecem em posição na região.
A falta de avanço nas negociações também expõe as divergências entre os aliados ocidentais. Enquanto França e Reino Unido tentam construir uma coalizão para garantir a segurança do estreito após um eventual acordo, Israel pressiona por uma solução militar que desmantele o programa nuclear iraniano de uma vez por todas.
E Trump, em ano eleitoral, precisa equilibrar a promessa de “acabar com a guerra” com a necessidade de não parecer fraco diante do Irã. A rejeição pública à proposta iraniana — sem entrar em detalhes sobre quais pontos são inaceitáveis — pode ser um gesto de campanha tanto quanto uma decisão de política externa.
Enquanto isso, os petroleiros continuam ancorados, o estreito permanece bloqueado, e as famílias no Irã, no Líbano e em Israel continuam a contar seus mortos. A guerra, que já dura mais de dois meses, não mostra sinais de que terminará tão cedo.
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