O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou nesta quinta-feira (29.jan.2026) o levantamento do sigilo dos depoimentos prestados pela Polícia Federal (PF) por três figuras centrais no caso Master: o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. A decisão atende a um pedido do BC, mas mantém o restante do inquérito sob sigilo.

A medida ocorre em um momento de intensa pressão sobre a atuação de Toffoli no caso, marcada por questionamentos sobre condutas consideradas incomuns e pela revelação de que fundos ligados ao Master adquiriram participação de seus irmãos em um empreendimento.
🕵️ O Que os Depoimentos Revelam e a Divergência Chave
Os depoimentos, colhidos no final de dezembro, trazem à tona a disputa de versões no cerne do escândalo. Segundo as investigações relatadas por Toffoli, o esquema envolvia a fabricação de carteiras de crédito insubsistentes (sem lastro real) no Master, que eram vendidas ao BRB e, após passarem pelo crivo do Banco Central, eram substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada.
Durante uma acareação determinada pelo próprio ministro, as versões de Vorcaro e Costa colidiram frontalmente:
- Daniel Vorcaro (dono do Master) afirmou que o BRB tinha conhecimento de que as carteiras de crédito falsas eram originadas por terceiros, e não no Master.
- Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB) disse que, pelo seu conhecimento, os créditos haviam sido originados no próprio Master.
⚖️ Pressão sobre Toffoli e uma Concessão Inédita
A decisão de derrubar o sigilo parcial ocorre em meio a fortes críticas à condução do caso por Toffoli, que incluem a centralização de oitivas no STF e restrições ao trabalho da PF. Neste mesmo dia, porém, o ministro fez uma concessão significativa.
Pela primeira vez, Toffoli admitiu abertamente a possibilidade de o inquérito retornar à primeira instância (Justiça comum) após o fim das investigações, assegurando que isso seria feito sem prejuízo aos direitos de defesa. Essa é uma demanda recorrente de setores que veem o foro privilegiado no STF como desnecessário neste caso.
🔮 Próximos Capítulos
O inquérito principal continua sob sigilo até que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste. A liberação dos depoimentos, contudo, joga luz sobre o núcleo da investigação — a criação e comercialização de créditos falsos — e expõe publicamente a contradição entre os dois principais investigados.
O caso, que já envolve a liquidação do Master, operações da PF como a “Barco de Papel” e agora a exposição das divergências entre os envolvidos, segue como um dos maiores desafios judiciais e políticos do momento. A pressão sobre Toffoli e o eventual deslocamento do processo para a Justiça comum serão os próximos pontos a observar.
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