STF Considera Relatório da PF Inepto e Extingue Pedido de Suspeição Contra Toffoli no Caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na última quinta-feira (12.fev.2026), arquivar o pedido da Polícia Federal (PF) que pedia a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli para seguir atuando como relator das investigações sobre o Banco Master. A Corte considerou o relatório da PF “inepto” por razões formais e jurídicas, embora Toffoli tenha deixado o caso após a reunião dos ministros.

O pedido, apresentado em um relatório de 200 páginas, elencava quatro pontos principais que, na visão da PF, colocariam em dúvida a imparcialidade do ministro:

Ponto do Relatório da PFO que Dizia a PFContexto / Posição de Toffoli
1. Resort TayayáUm investidor ligado a Vorcaro foi acionista do resort da família Toffoli (de 2021 a fev/2025).Toffoli afirma nunca ter recebido dinheiro de Vorcaro e que as transações estão declaradas à Receita.
2. Ex-mulher do ministroRoberta Rangel trabalhou (2021-2023) em escritório que teve Vorcaro como cliente.O período de trabalho foi anterior ao escândalo das fraudes no Master.
3. Processo no STFMensagens sugeriam Toffoli como aliado de Vorcaro em uma causa.Ao final, o ministro votou de forma contrária ao interesse do banqueiro.
4. EventosParticipação de Toffoli em eventos patrocinados pelo Banco Master.Interpretado pela PF como possível intimidade, mas sem provas de benefício direto.

⚖️ Os Argumentos do STF para Declarar o Pedido Inepto

A decisão de extinguir o processo, sem análise do mérito, baseou-se em dois pilares jurídicos principais:

  1. Incompetência da PF para o Pedido: A legislação brasileira estabelece que um pedido de suspeição ou impedimento de um magistrado só pode ser feito por uma das partes no processo. No caso de um inquérito criminal, a parte acusadora é o Ministério Público (Procuradoria-Geral da República no STF). A Polícia Federal atua na investigação, mas não tem legitimidade para fazer esse tipo de requerimento. O próprio gabinete de Toffoli, ao tomar conhecimento do pedido, já havia emitido nota destacando exatamente essa “falta de legitimidade”.
  2. Necessidade de Autorização Prévia: Os ministros também argumentaram que, para investigar um integrante da Corte, é necessária uma autorização prévia. A PF não pode produzir um relatório conclusivo contra um ministro sem que isso tenha sido previamente autorizado pelo tribunal, respeitando as regras do foro privilegiado.

🔄 Histórico de Atritos e Novos Rumos

A relação entre Toffoli e a PF foi marcada por tensões desde o início do caso, envolvendo discussões sobre acareações, atrasos em operações e o controle sobre a manipulação de provas. Apesar da saída de Toffoli da relatoria, o STF deixou claro que isso não significava concordância com o mérito das alegações da PF.

O caso agora está sob a relatoria do ministro André Mendonça. A PF se comprometeu a apresentar um novo relatório consolidado até o dia 23 de fevereiro, detalhando todas as informações já apuradas, agora em um formato que respeite as determinações e os ritos do tribunal. Em reação à decisão, associações de delegados da PF já pediram ao Congresso que analise um projeto de lei para dar à corporação a competência formal para pedir suspeição de magistrados, num movimento para tentar mudar a regra que inviabilizou o primeiro pedido.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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