Pesquisa mostra presidente à frente no confronto direto e em cenários com múltiplos candidatos; Haddad teria 40,5% se fosse o candidato do PT, tecnicamente empatado com o senador

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (28) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em todos os cenários testados para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento, que ouviu 5.008 eleitores por meio de recrutamento digital aleatório entre 22 e 27 de abril, aponta Lula com vantagem que varia de 4,9% a 6,9% sobre o segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O instituto também testou um cenário com o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) como candidato do partido — hipótese que foi descartada após Haddad confirmar que disputará o governo de São Paulo. Nesse cenário, Haddad aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro.
Os números da AtlasIntel contrastam com outras pesquisas recentes, que mostravam um cenário mais apertado entre Lula e Flávio, e devem alimentar o debate sobre a competitividade do bolsonarismo sem Jair Bolsonaro na cabeça de chapa.
📊 Os números da pesquisa
Cenário 1 (com Lula e Flávio como principais candidatos, sem Ciro Gomes):
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula (PT) | 46,6% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 39,7% |
| Renan Santos (Missão) | 5,3% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 3,3% |
| Romeu Zema (Novo) | 3,1% |
| Augusto Cury (Avante) | 1,1% |
| Aldo Rebelo (DC) | 0,3% |
| Brancos/nulos | 0,5% |
| Não sabe | 0,1% |
Neste cenário, Lula tem 46,6% contra 39,7% de Flávio — uma vantagem de 6,9 pontos percentuais, dentro da margem de erro de 1 ponto, mas numericamente significativa. Renan Santos (Missão), partido do deputado Kim Kataguiri, aparece com 5,3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) somam 3,3% e 3,1%, respectivamente.
Cenário 2 (mais competitivo, com mais nomes incluídos):
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula (PT) | 44,2% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 39,3% |
| Renan Santos (Missão) | 5,1% |
| Romeu Zema (Novo) | 3,5% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 3,0% |
| Samara Martins (UP) | 2,0% |
| Ciro Gomes (PSDB) | 1,3% |
| Outros | 1,0% |
| Brancos/nulos | 0,2% |
Neste cenário, com a inclusão de Ciro Gomes (PSDB) e Samara Martins (UP), Lula tem 44,2% e Flávio tem 39,3% — vantagem de 4,9 pontos. Ciro aparece com apenas 1,3%, um desempenho muito baixo para o ex-presidenciável, refletindo sua migração para o PSDB e a perda de relevância nacional.
Cenário 3 (com Fernando Haddad no lugar de Lula):
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Fernando Haddad (PT) | 40,5% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 39,2% |
| Renan Santos (Missão) | 5,8% |
| Romeu Zema (Novo) | 3,8% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 3,6% |
| Augusto Cury (Avante) | 1,3% |
| Aldo Rebelo (DC) | 0,5% |
| Brancos/nulos | 4,8% |
Neste cenário, Haddad tem 40,5% contra 39,2% de Flávio — vantagem de apenas 1,3 pontos, dentro da margem de erro. O alto índice de brancos/nulos (4,8%) também chama atenção, indicando maior rejeição a Haddad do que a Lula.
📈 O que os números indicam
A pesquisa da AtlasIntel traz três sinais importantes:
- Lula parte na frente: Com vantagem entre 4,9 e 6,9 pontos sobre Flávio, o presidente tem um colchão confortável, mas não suficiente para vencer no primeiro turno. A diferença está dentro do que pode ser revertido ao longo da campanha.
- Flávio Bolsonaro consolida herança, mas não supera o pai: O senador tem entre 39,2% e 39,7% das intenções de voto, dependendo do cenário. É um patamar respeitável, mas abaixo do que Jair Bolsonaro costumava obter nas pesquisas contra Lula (entre 43% e 45%).
- Terceira via fragmentada e sem força: Renan Santos (Missão) aparece com cerca de 5%, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) com 3% cada. Ciro Gomes, que já foi terceira via relevante, tem apenas 1,3%. A fragmentação beneficia Lula, que lidera com folga.
O levantamento também mostra que, se Haddad fosse o candidato do PT, a eleição seria muito mais apertada — ou até mesmo favorável a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Isso explica por que o Planalto fez tanta pressão para que Lula fosse o candidato, mesmo com o presidente tendo afirmado publicamente que não queria disputar a reeleição.
🗳️ Comparação com outras pesquisas
A AtlasIntel tem se consolidado como uma das pesquisadoras mais precisas nas últimas eleições, com metodologia de recrutamento digital aleatório que captura tendências de forma mais ágil que pesquisas presenciais.
Pesquisas anteriores, como a da Nexus (divulgada em abril), mostravam um cenário mais equilibrado: Lula com 44%, Flávio com 41%. A Quaest, por sua vez, tinha Lula com 46% e Flávio com 40% — números muito próximos aos da AtlasIntel.
A diferença entre os institutos está na margem: a AtlasIntel dá vantagem maior a Lula, enquanto outras mostram empate técnico. O que todas indicam, no entanto, é que Lula está à frente e Flávio Bolsonaro consolidou a herança do pai, mas não conseguiu ampliar sua base além do núcleo bolsonarista.
🏛️ A reação dos candidatos
O Planalto recebeu os números com otimismo, mas com cautela. A vantagem de Lula é real, mas não esmagadora. A campanha petista já se prepara para um segundo turno disputado, com foco em conquistar o eleitorado de centro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, minimizou a pesquisa. Em publicação nas redes sociais, disse que “Lula está no limite do teto, e eu no limite do piso” — referindo-se à margem de erro. A estratégia bolsonarista é tentar levar a eleição para o segundo turno e, lá, concentrar votos da direita e do centro.
Renan Santos (Missão) comemorou os 5%, afirmando que seu partido, lançado há menos de um ano, já supera nomes tradicionais como Caiado e Zema. Ciro Gomes, em silêncio, vê sua relevância nacional definhar.
Vantagem de Lula, mas eleição em aberto
A pesquisa AtlasIntel mostra que Lula parte na frente na corrida presidencial, com vantagem entre 4,9 e 6,9 pontos sobre Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% no cenário principal, o que o coloca a poucos pontos de vencer no primeiro turno — mas ainda longe dos 50%+1 necessários.
Flávio Bolsonaro, com cerca de 40%, consolidou a herança do pai, mas não conseguiu ampliar a base. A terceira via, mais uma vez, mostrou-se fragmentada e irrelevante numericamente.
A eleição, no entanto, está longe de estar definida. A apenas seis meses do pleito, a margem de Lula é confortável, mas não intransponível. Dependerá da capacidade de Flávio de atrair votos de centro e da performance econômica do governo. E, claro, de como o próprio Lula se comportará na campanha — algo que, aos 80 anos, é sempre uma incógnita.
O fim do primeiro turno está marcado para 4 de outubro. A corrida, por ora, tem um favorito. Mas, na política, como no futebol, só apita o juiz no final.
Reportagem produzida com base em informações da CartaCapital publicadas em 28 de abril de 2026
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