O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) partiu nesta terça-feira (6/05) para uma viagem de nove dias à Rússia e China, marcada por objetivos diplomáticos ambiciosos e uma composição estratégica de sua comitiva. A agenda inclui celebrações históricas, reforço comercial e tentativas de posicionar o Brasil como mediador internacional, além de conter pressões políticas internas, como a possível criação de uma CPI sobre irregularidades no INSS.

Comitiva Presidencial: Quem Acompanha Lula?
A delegação brasileira reúne figuras-chave do Executivo, Legislativo e assessores:
- Davi Alcolumbre (União-AP): Presidente do Congresso Nacional, integra a viagem como peça central para conter avanços de investigações no Legislativo, como uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) sobre o INSS. Sua presença visa fortalecer a articulação política do governo no Parlamento.
- Ministros de Estado:
- Mauro Vieira (Relações Exteriores): Coordena a agenda diplomática.
- Alexandre Silveira (Minas e Energia): Foco em parcerias energéticas.
- Luciana Santos (Ciência e Tecnologia): Participará de acordos bilaterais em Moscou.
- Elmar Nascimento (União-BA): Vice-presidente da Câmara, substitui Hugo Motta (Republicanos-PB), que preferiu focar na pauta legislativa interna.
- Celso Amorim: Assessor-chefe da Presidência, reforçando a expertise em relações internacionais.
- Janja da Silva: A primeira-dama viajou antecipadamente à Rússia, visitando instituições culturais e acadêmicas, como a Universidade Estatal de São Petersburgo.
Agenda na Rússia: Mediação e Simbolismo Histórico
- Celebrações dos 80 Anos da Vitória Soviética: Lula participará do desfile cívico-militar na Praça Vermelha (9/05), data que marca o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, a convite do presidente Vladimir Putin.
- Mediação no Conflito Rússia-Ucrânia: O governo brasileiro busca destacar o papel do país como facilitador de diálogo, aproveitando a presidência do Brics. A expectativa é que Lula proponha ao grupo um papel ativo nas negociações de paz.
- Reunião Bilateral com Putin: Discussões incluirão comércio bilateral, que atingiu US$ 12,4 bilhões em 2024, com destaque para exportações brasileiras de soja, carnes e açúcar, e importações russas de fertilizantes.
China: Fórum e Parcerias Estratégicas
Entre 12 e 13 de maio, Lula participará do 4º Fórum China-CELAC em Pequim, buscando ampliar laços com países latino-americanos e caribenhos. A China, maior parceiro comercial do Brasil, é vista como aliada em projetos de infraestrutura e tecnologia.
Objetivos da Viagem
- Independência da Política Externa: Reafirmar a autonomia brasileira frente a pressões de potências ocidentais, como EUA e UE.
- Blindagem Política Interna: A inclusão de Alcolumbre visa neutralizar movimentos adversários no Congresso, como a CPMI do INSS, que ameaçaria a base governista.
- Reforço Comercial: Ampliar acordos em setores como energia, ciência e agronegócio, essenciais para a balança comercial brasileira.
A viagem de Lula à Rússia e China simboliza um esforço para reposicionar o Brasil no cenário global, combinando soft power diplomático com pragmatismo econômico. Enquanto a mediação no conflito Rússia-Ucrânia testa a capacidade de influência do país, a composição da comitiva reflete estratégias internas para consolidar alianças e evitar crises políticas.
O sucesso da agenda dependerá não apenas dos resultados concretos nas negociações, mas também de como o governo conseguirá traduzir esses esforços em benefícios domésticos — desde a geração de empregos até a estabilidade política. Como destacou um assessor, “é uma jogada de xadrez em que cada peça movida tem impacto tanto no tabuleiro internacional quanto no brasileiro”
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