Presidente brasileiro recebeu convite de Donald Trump, mas ainda não se posicionou sobre participação no grupo internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um “Conselho de Paz da Faixa de Gaza”. O convite, feito no último sábado (17), coloca o Brasil como um dos possíveis membros de um grupo que reunirá líderes e ex-líderes mundiais para discutir o futuro do território palestino.
No entanto, de acordo com o projeto de estatuto do conselho obtido pela agência de notícias Reuters, países que desejarem uma participação permanente — além do mandato inicial de três anos — precisariam contribuir com US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em fundos em dinheiro.
Conflito de informações e posição brasileira
Em nota oficial divulgada no último sábado, a Casa Branca negou a existência de qualquer “taxa mínima de adesão” para ingresso no conselho. A publicação, feita na rede social X, afirmou que o projeto “simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”.
Fontes próximas ao governo brasileiro afirmam que o presidente Lula ainda não tomou uma decisão sobre o convite. A expectativa é que ele avalie a proposta na próxima semana e só se manifeste publicamente após definir sua posição.
Composição e objetivos do conselho
O chamado “conselho da paz” foi anunciado por Donald Trump na sexta-feira (16) como parte da segunda fase de um plano respaldado por Washington para encerrar a guerra em Gaza. Segundo a Casa Branca, o grupo discutirá questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
Além de Lula, foram convidados o presidente da Argentina, Javier Milei — que já aceitou publicamente, descrevendo a participação como “uma honra” —, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o empresário bilionário americano Marc Rowan e Robert Gabriel, assistente de Trump no Conselho de Segurança Nacional. O próprio presidente dos EUA presidirá o órgão.
Contexto mais amplo
O anúncio do conselho ocorre em meio a outras movimentações da política externa norte-americana. No mesmo período, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% a países que mantiverem relações comerciais com o Irã, medida que passa a valer imediatamente e pode impactar parceiros econômicos dos Estados Unidos.
Paralelamente, o major-general americano Jasper Jeffers foi designado para dirigir uma Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza, com a missão de manter a segurança no território e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas.
O convite a Lula representa um reconhecimento internacional de sua atuação diplomática, mas coloca o governo brasileiro diante de uma decisão complexa, que envolve considerações sobre política externa, compromissos financeiros e o papel do Brasil em um dos conflitos mais delicados do cenário internacional. A resposta deverá sinalizar a direção que o país pretende tomar em sua inserção global nos próximos anos.
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