O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou nesta quarta-feira (29/05) que ministérios avaliem medidas para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta às recentes barreiras comerciais impostas pelo governo de Donald Trump. A decisão ocorre após anúncios de tarifas sobre produtos brasileiros e representa uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países.

1. O Contexto da Decisão
- Tarifas Americanas: O governo Trump anunciou novas taxas de importação para produtos como aço, alumínio e etanol brasileiro, alegando “desequilíbrios comerciais”. A medida afeta setores estratégicos da economia nacional .
- Lei de Reciprocidade (Decreto 1.741/1995): Permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que impõem restrições injustas a produtos nacionais. Lula quer usar o mecanismo para proteger a indústria local .
2. Setores em Risco e Possíveis Retaliações
O governo avalia retaliar em áreas sensíveis para os EUA:
- Agronegócio: Taxação ou embargo parcial a soja e milho americanos, principais exportações dos EUA para o Brasil.
- Tecnologia e Indústria: Restrições a produtos como softwares, chips e maquinário pesado, setores onde os EUA têm forte participação no mercado brasileiro.
- Turismo e Serviços: Cobrança de taxas extras para voos e serviços financeiros de empresas norte-americanas .
3. Repercussão no Mercado e na Diplomacia
- Impacto Econômico: Analistas alertam que uma guerra comercial pode elevar preços internos e reduzir investimentos. O Brasil exportou US$ 32 bilhões para os EUA em 2024, enquanto importou US$ 40 bilhões .
- Posição Diplomática: O Itamaraty busca evitar ruptura total, mas defende “resposta proporcional”. O chanceler Mauro Vieira já conversou com aliados na América Latina e Europa para fortalecer posição negociadora .
- Reação dos EUA: A Casa Branca declarou que “qualquer medida brasileira será respondida com firmeza”, aumentando o risco de escalada .
4. Próximos Passos
- Análise Técnica: Ministérios da Economia, Agricultura e Relações Exteriores têm 15 dias para apresentar propostas concretas.
- Consultas ao Setor Privado: Empresários serão ouvidos para calibrar medidas e minimizar danos à indústria nacional.
- Aprovação Presidencial: Lula decidirá se assina decretos de retaliação ou se busca nova rodada de negociações .
A decisão de Lula marca um endurecimento na política externa brasileira frente ao protecionismo de Trump. Enquanto o governo tenta equilibrar defesa comercial e pragmatismo econômico, o risco de uma guerra tarifária preocupa empresários e consumidores.
O desfecho dependerá da capacidade de negociação do Brasil e da disposição dos EUA em rever suas políticas. Como destacou um diplomata: “Reciprocidade não é vingança, mas um lembrete de que comércio justo beneficia a todos” . Se as tratativas fracassarem, os dois países podem entrar em uma espiral de retaliações com custos bilionários.
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