Dino Proíbe Criação de Novas Leis ou Atos que Instituam “Penduricalhos” e Reforça Teto Salarial

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (19) uma nova medida no combate aos chamados “penduricalhos”. Ficou proibida a criação de qualquer nova lei ou ato normativo que institua pagamentos acima do teto remuneratório constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

A decisão, que abrange salários e verbas indenizatórias nos Três Poderes e em todas as esferas da federação, é um complemento direto à liminar do último dia 5, que já havia suspendido o pagamento de todos os penduricalhos sem base legal. O objetivo agora é impedir que órgãos ou entes criem novas regras para driblar a determinação original.

⚖️ Entendendo as Decisões e os Próximos Passos

A tabela abaixo resume as duas decisões do ministro e seus efeitos:

Data da DecisãoO que DeterminouAlcance e Próximos Passos
5 de fevereiro de 2026Suspensão imediata do pagamento de verbas indenizatórias sem previsão legal (os “penduricalhos”).Órgãos dos Três Poderes têm 60 dias para revisar e suspender os pagamentos ilegais. Congresso deve editar lei definindo exceções ao teto.
19 de fevereiro de 2026Proibição da criação de novas leis ou atos que instituam pagamentos acima do teto, incluindo direitos retroativos.Veda inovações que possam “embaraçar” a decisão do STF. Caso o Congresso não legisle, o STF pode fixar um regime transitório.

🏛️ Contexto e Reforço da Decisão

A nova determinação de Dino surge num contexto em que o próprio presidente Lula vetou, na quarta-feira (18), propostas do Congresso que criavam penduricalhos para servidores do Legislativo. Esse veto, segundo a análise, abriu espaço para que os parlamentares avancem na regulamentação definitiva das verbas indenizatórias, algo que Dino já havia solicitado formalmente ao Congresso.

Na decisão desta quinta, o ministro foi explícito ao afirmar que busca “evitar inovações fáticas ou jurídicas que impeçam a estabilização da lide constitucional”. Ele também vetou o pagamento de qualquer parcela retroativa que não estivesse sendo paga até a data da liminar original (5 de fevereiro).

🔮 O Papel do Congresso e a Palavra Final do STF

O ministro reiterou que cabe ao Congresso Nacional editar uma lei ordinária para definir expressamente quais indenizações podem ficar fora do teto, conforme a Constituição permite. No entanto, deixou claro que, se o Legislativo “não cumpra o seu dever de legislar”, caberá ao Supremo examinar a fixação de um regime transitório para a suspensão dos pagamentos.

Em seus fundamentos, Dino estabeleceu parâmetros claros: adicionais e gratificações só são legítimos quando amparados em lei específica, vinculados ao interesse público e baseados em critérios objetivos. A mera utilização de “rubricas genéricas”, alertou, não supre essa exigência.

Com essa nova decisão, o ministro Flávio Dino reforça o cerco aos supersalários no serviço público e coloca uma trava adicional contra tentativas de criar novos “penduricalhos”, ao mesmo tempo em que pressiona o Congresso a assumir seu papel na regulamentação definitiva da matéria.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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