A Polícia Civil de São Paulo foi surpreendida por um caso grave de suposta infiltração nesta sexta-feira (16), com a prisão temporária da delegada Layla Lima Ayub, empossada há menos de um mês. A operação, conduzida pelo Ministério Público do Estado e pela Corregedoria da própria Polícia Civil, investiga suspeitas de que a agente mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu poucas semanas após a cerimônia de posse solene, que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas.

Imagem: Reprodução de redes sociais…
Layla Ayub foi empossada no cargo de delegada no dia 19 de dezembro de 2025, em uma turma de 524 novos agentes. Segundo as investigações, após assumir o cargo público, ela teria atuado ilegalmente como advogada em uma audiência de custódia para presos ligados a organizações criminosas. Esta prática é expressamente vedada pelo Estatuto da Advocacia, que proíbe ocupantes de cargos públicos de exercerem a função de advogado, mesmo em causa própria.
Além do mandado de prisão temporária contra a delegada, a operação também cumpriu uma ordem de prisão contra um suposto integrante do PCC. Os mandados foram executados nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará, indicando a abrangência interestadual das investigações. A Polícia Civil informou que “mecanismos internos de controle” foram decisivos para identificar os indícios de irregularidades, que foram imediatamente encaminhados à corregedoria para as medidas cabíveis.
Antes de ingressar na carreira de delegacia em São Paulo, Layla Ayub tinha um histórico profissional diversificado: atuou como policial no Espírito Santo e como consultora jurídica no Pará. Em suas redes sociais, ela se apresentava como ex-advogada criminalista, trajetória que agora está sob severo escrutínio das autoridades.
A prisão de uma delegada recém-empossada sob acusação de conexão com a maior facção criminosa do país expõe um grave problema de infiltração e corrupção dentro das instituições policiais. O caso levanta questionamentos urgentes sobre os processos de seleção e fiscalização de novos agentes, mesmo que a própria polícia afirme que seus mecanismos de controle interno funcionaram para detectar o problema.
O episódio mina a confiança pública e representa um duro golpe para a imagem da Polícia Civil paulista. Enquanto a Justiça e a Corregedoria aprofundam as investigações, o desfecho deste caso será crucial não apenas para a responsabilização dos envolvidos, mas também para demonstrar a capacidade do Estado em purgar suas instituições de elementos supostamente comprometidos com o crime organizado. A sociedade aguarda respostas sobre como uma suposta infiltração dessa magnitude pôde ocorrer e quais medidas serão adotadas para evitar que casos semelhantes se repitam.
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