Um áudio obtido com exclusividade pelo G1 revela um assessor especial do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmando que um delegado da Polícia Federal seria “muito parceiro” e disposto a escoltar um traficante procurado até a entrada do Aeroporto Santos Dumont. A gravação, que data de agosto de 2025, gerou demissões imediatas e acionou investigações da Corregedoria da PF e do Ministério Público Federal.

Conteúdo Explosivo do Áudio
Na gravação de 3 minutos, o assessor Thiago Souza (conhecido como “TH”) é ouvido dizendo a um interlocutor não identificado:
“O delegado [nome não mencionado] é muito parceiro nosso. Já combinamos até de ele escoltar o [traficante] na entrada do aeroporto. Só não dentro porque tem muita câmera”.
O contexto da conversa sugere que a discussão envolvia a facilitação da fuga de um criminoso procurado pela justiça. As investigações preliminares indicam que o alvo seria Antônio Francisco da Silva Neto, “Xuxu”, líder do tráfico no Complexo da Maré.
Reações Imediatas
- Demissão em Cadeia: Thiago Souza foi exonerado em 15 minutos após a divulgação do áudio. O secretário de Casa Civil, Josuel Dias, também pediu demissão por manter Souza em cargo de confiança.
- Investigação da PF: A corregedoria abriu apuração para identificar o delegado mencionado e apurar possível quebra de decoro funcional.
- MPF no Caso: A Procuradoria da República no RJ instaurou inquérito para apurar obstrução de justiça e possível formação de organização criminosa.
Contexto Político
O caso ocorre em um momento sensível:
- Governo Castro enfrenta críticas por aumento de 22% em roubos de carga no estado
- PF investiga desvios em obras de R$ 200 milhões na secretaria de Infraestrutura
- Eleições 2026: Castro é cotado como vice na chapa presidencial de Bolsonaro
Histórico de “TH”
Thiago Souza era ligado à Secretaria de Transportes e operava como “faz-tudo” político. Em 2023, foi investigado por superfaturamento em contratos de ônibus, mas o caso foi arquivado por falta de provas.
O áudio expõe as entranhas de uma suposta rede de corrupção que conecta o poder político, policial e o crime organizado no RJ. Enquanto as investigações tentam desvendar a extensão das conexões, o caso reforça preocupações históricas sobre a infiltração de instituições por interesses ilícitos.
Como declarou o procurador regional Eduardo El Hage: “Este não é um caso isolado, mas a ponta de um iceberg de corrupção sistêmica”. O desfecho pode determinar não apenas o futuro político do governo Castro, mas a credibilidade da própria luta contra o crime organizado no estado.
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