Em telefonema de 40 minutos, presidente americano disse admirar trajetória do petista e pesquisar sobre sua vida; Lula se ofereceu para viajar aos EUA e reunião foi confirmada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou uma ligação telefônica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com um afetuoso “I love you” (eu te amo, em português), de acordo com fontes do governo brasileiro ouvidas pelo g1. O telefonema, que durou cerca de 40 minutos na última sexta-feira (1º), teve um tom amistoso e descontraído, com Trump demonstrando admiração pela trajetória política do petista.
Durante a conversa, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e se reunir pessoalmente com o americano. O encontro foi marcado para esta quinta-feira (7), após o aval da equipe de Trump, que chegou no sábado (2). A agenda foi confirmada pela Casa Branca na última segunda (4).
O telefonema e a rápida confirmação da reunião representam um acaloramento nas relações entre os dois líderes, que vinham se aproximando desde que se encontraram pessoalmente pela primeira vez em outubro de 2025, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
📞 O telefonema: admiração e disponibilidade
Segundo fontes que acompanharam o relato da conversa, Trump adotou um tom amistoso e respeitoso ao longo da ligação. O americano disse que admira a trajetória política de Lula e afirmou que pesquisou sobre a vida do petista — incluindo sua origem sindical e seus dois mandatos anteriores à frente do Brasil.
Lula, por sua vez, disse que queria tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas relacionados a conflitos internacionais (como as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia) e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Trump respondeu dizendo que tem interesse em ouvir as opiniões de Lula sobre esses assuntos.
O tom da conversa foi tão positivo que, após Lula se colocar à disposição para viajar, Trump afirmou que sua equipe cuidaria dos detalhes para viabilizar a reunião. O aval à data chegou no dia seguinte, sábado (2). A agenda foi formalizada na segunda-feira (4) e confirmada pela Casa Branca.
🤝 Encontro marcado: o que está em jogo
A reunião entre Lula e Trump está marcada para esta quinta-feira (7), em local ainda não divulgado (provavelmente na Casa Branca ou em uma das propriedades de Trump, como Mar-a-Lago, na Flórida). O encontro vinha sendo buscado pelo governo brasileiro desde o anúncio do tarifaço de Trump no início do ano e estava em negociação avançada desde janeiro, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
Os temas centrais devem incluir:
- Comércio bilateral: Trump já ameaçou impor tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, como aço, alumínio e café. Lula quer evitar uma escalada protecionista.
- Guerra no Oriente Médio: O Brasil tem criticado os ataques israelenses no Líbano, que já mataram civis brasileiros. Trump é um aliado declarado de Israel.
- Papel da ONU: Lula defende uma reforma do Conselho de Segurança e uma posição mais ativa do Brasil em crises globais. Trump, por sua vez, tem histórico de desprezo por organizações multilaterais.
- Meio Ambiente: Apesar de Trump ter retirado os EUA do Acordo de Paris, o tema pode surgir em meio às discussões sobre comércio e sustentabilidade.
O governo brasileiro vê a reunião como uma oportunidade de desarmar as tensões comerciais e de projetar Lula como um líder global capaz de dialogar com adversários ideológicos. Para Trump, é uma chance de demonstrar que pode manter relações cordiais mesmo com líderes de esquerda — algo útil em um ano eleitoral.
🎭 Da tensão à afetividade: a evolução da relação Lula-Trump
A relação entre os dois presidentes nem sempre foi tão amistosa. Durante a campanha eleitoral de 2022, Trump apoiou abertamente Jair Bolsonaro, chamando Lula de “comunista” e “lunático”. Após a vitória do petista, Trump manteve reservas, e o tarifaço anunciado em janeiro de 2026 elevou a tensão.
No entanto, um encontro casual em outubro de 2025 na Assembleia Geral da ONU mudou o tom. Os dois líderes conversaram rapidamente nos bastidores, e Trump surpreendeu ao dizer que havia “química” entre eles. Lula, por sua vez, elogiou a “sinceridade” do americano.
A ligação da última sexta e a rápida confirmação da reunião sugerem que os dois líderes superaram as divergências iniciais e estão dispostos a construir uma relação pragmática — ainda que cada um tenha sua própria base política a agradar.
O que esperar do encontro
A reunião de quinta-feira será observada de perto por aliados e adversários de ambos os lados. No Brasil, a oposição (especialmente o bolsonarismo) certamente criticará a aproximação com Trump — a quem sempre apoiaram. O governo Lula, por sua vez, tentará vender a reunião como um ato de estadismo: um presidente que coloca os interesses nacionais acima de ideologias.
Os resultados concretos do encontro, no entanto, podem ser limitados. Trump é conhecido por suas mudanças de humor e por promessas que nem sempre se concretizam. Lula, por sua vez, tem um estilo mais negociador, mas também é pragmático.
O mais provável é que a reunião sirva para destravar diálogos setoriais — por exemplo, na área de comércio e investimentos — e para alinhar posições sobre crises internacionais, como a guerra no Oriente Médio, onde o Brasil quer um papel de mediador.
Do “lunático” ao “I love you”
“Eu te amo” é uma expressão forte, especialmente vinda de um líder como Donald Trump, conhecido por sua retórica belicosa e por ataques pessoais a adversários. Que ele tenha dito isso a Lula — socialista, sindicalista, ex-presidiário político — é um sinal de que a política internacional é feita de interesses, não de afetos.
Independentemente da sinceridade da declaração, o telefonema e o encontro marcado representam um marco na relação bilateral. Lula, que já foi chamado de “lunático” por Trump, agora ouve um “I love you” do republicano. E Trump, que historicamente desprezou líderes de esquerda, agora se senta à mesa com um deles para discutir comércio, guerras e o futuro da ONU.
O encontro de quinta-feira será um teste para essa relação improvisada. Se der certo, pode abrir caminho para uma aproximação duradoura. Se der errado, será apenas mais um episódio na longa história de encontros entre presidentes que se respeitam pouco, mas precisam um do outro.
Por ora, o mundo aguarda. E os assessores de ambos os lados trabalham nos detalhes de uma reunião que promete ser, no mínimo, interessante.
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