O deputado estadual Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), formalizou sua licença do mandato nesta quarta-feira (10/12), um dia após ser solto da prisão. O parlamentar, investigado por suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Zargun da Polícia Federal, terá 10 dias para “tratar de assuntos particulares”. A decisão ocorre em meio a um delicado equilíbrio político, com seu afastamento da presidência determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido de licença de Bacellar, protocolado para o período de 10 a 19 de dezembro, é o primeiro movimento do deputado após uma semana detido na Superintendência da PF no Rio. Sua prisão foi decretada após ser acusado de vazar dados da operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho, e apreendeu R$ 90 mil em seu carro. Bacellar nega as acusações.
A licença, no entanto, não altera o comando da Casa. A presidência continua sendo exercida interinamente pelo vice Guilherme Delaroli (PL). Uma mudança definitiva só ocorrerá se Bacellar renunciar ao cargo, o que, segundo aliados, “não está descartada”, mas não deve acontecer nos próximos meses. Nomes como Rodrigo Amorim (União), Chico Machado (SDS), o próprio Delaroli e o deputado licenciado Douglas Ruas (PL) são cotados nos bastidores como possíveis sucessores.
A soltura de Bacellar foi determinada por Moraes após a Alerj votar, em sessão tensa, pela revogação da prisão (42 votos a favor, 21 contra e 2 abstenções). O ministrou substituiu a detenção por um pacote rigoroso de medidas cautelares, que incluem:
- Uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento;
- Recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 6h) e integral em fins de semana e feriados;
- Afastamento definitivo da presidência da Alerj;
- Proibição de comunicação com outros investigados;
- Entrega de passaportes e suspensão do porte de arma.
Moraes alertou que o descumprimento de qualquer medida pode resultar em multa diária de R$ 50 mil. O deputado passa a noite em casa com a tornozeleira, mas segue afastado da presidência enquanto responde às investigações.
A licença de Bacellar marca um capítulo de instabilidade na principal casa legislativa fluminense, agora governada por um presidente interino. Enquanto o deputado enfrenta as restrições impostas pela Justiça, o futuro político da Alerj permanece em suspense, à espera de uma decisão sobre a renúncia. O caso, que mistura acusações graves de obstrução à Justiça e vazamento de operação policial, deixa um legado de crise institucional e expõe as tensões entre o poder político e as investigações de segurança no estado.
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