O ministro Luiz Fux, cujo voto no julgamento da tentativa de golpe de 2022 definiu o rumo das condenações, chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por indicação da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2011. Sua nomeação representou uma estratégia política de Dilma para ampliar sua base de apoio no Judiciário, escolhendo um jurista reconhecido academicamente mas sem histórico de ativismo político.

A Indicação de Dilma
- Data: 24 de fevereiro de 2011
- Vaga: Substituição do ministro Eros Grau, que se aposentou
- Processo: Dilma escolheu Fux após consultas ao ministro Joaquim Barbosa (então amigo próximo) e à cúpula do PT
- Ratificação: Aprovado por unanimidade pelo Senado em 16 de março de 2011
Perfil que Atraiu Dilma
- Expertise Jurídica: Maior autoridade brasileira em processo civil, com 35 livros publicados
- Ausência de Política: Sem filiação partidária ou histórico de militância
- Trajetória Institucional:
- Ex-promotor de Justiça do RJ (1979-1983)
- Juiz federal (1983-1997)
- Ministro do STJ (2001-2011)
Contexto Político da Nomeação
Dilma buscava:
- Contrapor-se a FHC: Lula havia indicado 5 ministros; Dilma queria marcar seu próprio legado
- Agradar ao Centrão: Fux era visto como “tecnicista” e menos ideológico que outros nomes
- Preparar sucessão: Joaquim Barbosa (outro indicado de Lula) já era cotado para presidir o STF
Curiosidades da Posse
- Foi o primeiro ministro do STF a usar Twitter oficialmente (@MinFux)
- Seu estilo “professoral” nos votos tornou-se marca registrada
- Manteve aulas na PUC-Rio mesmo após nomeação
Quatorze anos após sua indicação, Fux transformou-se de um ministro “técnico” em figura central nos julgamentos mais políticos do STF. Seu voto no caso do 8 de Janeiro – equilibrando condenações individuais e rejeição à tese de organização criminosa – reflete o mesmo pragmatismo que levou Dilma a escolhê-lo: atenção à letra da lei, mas com sensibilidade para as consequências políticas das decisões.
Como observou o constitucionalista Oscar Vilhena: “Dilma buscou um jurista, mas descobriu um estadista”. O legado de Fux, agora à beira da aposentadoria (75 anos em 2028), será lembrado por seus votos minuciosos e pela capacidade de construir consensos em um court profundamente dividido.
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