Governo Lula prepara reação estratégica ao tarifaço imposto pelos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu, neste fim de semana, seus principais ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin para definir uma resposta coordenada ao tarifaço anunciado por Donald Trump. A medida, que estabelece tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e entra em vigor em 1º de agosto, é vista como uma ameaça direta à economia nacional e tem gerado forte mobilização política e diplomática em Brasília.


A reunião, realizada no Palácio da Alvorada, teve como ponto central a regulamentação da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, mas ainda sem normatização. O novo decreto permitirá ao Brasil adotar medidas proporcionais diante de decisões unilaterais de países estrangeiros, incluindo retaliações tarifárias, contestação em organismos internacionais e revisão de acordos comerciais.

Estiveram presentes os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Carlos Fávaro (Agricultura), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Comunicação), Maria Laura da Rocha (Itamaraty), além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e do ex-ministro Miriam Belchior. O vice-presidente Alckmin liderará um grupo de trabalho com representantes do setor produtivo para formular uma estratégia de proteção aos segmentos mais afetados, como o agronegócio e a indústria.

A resposta brasileira se dará em três frentes: econômica, com a criação do grupo de trabalho para avaliar impactos e propor alternativas; diplomática, com o envio de representantes a Washington para buscar diálogo com autoridades americanas; e política, com o fortalecimento da articulação interna para unificar o discurso de defesa da soberania nacional.

Especialistas como Ivson Coelho e Felipe Bocayuva consideram a medida acertada, destacando que a regulamentação por decreto confere base legal sólida à reação do governo. Ao mesmo tempo, o Planalto também se articula para ampliar mercados de exportação e reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos, mirando países como China, Japão, Vietnã e parceiros do BRICS.

Com o prazo apertado até a entrada em vigor das tarifas, o governo brasileiro aposta em uma reação estratégica e multifacetada para proteger seus interesses econômicos e reforçar sua posição no cenário internacional. A articulação interna busca não apenas conter os efeitos imediatos do tarifaço, mas também reposicionar o Brasil como um ator soberano e propositivo frente aos desafios da geopolítica global.

About Danillo Luiz

Fotógrafo, Cineasta e Repórter.

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