Viaje com a sua melhor companhia: você mesma!

Viajar sozinha ainda é um tabu para muitas mulheres, mas pode ser libertador

Você decidiu viajar, juntou dinheiro, escolheu o destino dos sonhos e na hora H faltou a companhia. Qual será o final da história: desistir por não ter alguém para embarcar com você ou se lançar sozinha na aventura? Já que março é considerado o mês da mulher, não poderia deixá-lo passar sem falarmos sobre essa decisão.

Seja por insegurança ou vergonha de estar sozinha, voar solo ainda não é um plano que se declara em voz alta no almoço de domingo. Para quem está solteira na casa dos 30 e pouco anos então… A decisão rende muitos olhares de pena.

Não vou negar que é bom ter uma pessoa do lado para compartilhar experiências, rir dos perrengues e garantir cliques especiais do passeio. Mas nem sempre é possível. Talvez você não tenha um boy no momento para carregar a tiracolo, brigou com a melhor amiga ou não conseguiu marcar as férias na mesma data que a galera e nem entrar em consenso sobre o destino da viagem. Quem nunca?

Só não podemos ficar esperando qualquer uma dessas situações se resolver para conhecer um lugar que sempre sonhou e viver experiências únicas ali. Viajar sozinha não é sinal de fracasso, mas de conquista. Um exemplo disso é a história de uma senhora russa de 90 anos que virou sucesso no Instagram por compartilhar fotos de suas viagens – sozinha – pelo mundo (veja aqui). Ao se aventurar pela Turquia, Alemanha, Tailândia, Vietnã e Israel, Vovó Lena mandou o sonoro recado em russo de que ser mulher e estar sem companhia não é desculpa para conhecer um novo lugar.

Por vencer a insegurança e a vergonha, você ganha de bônus a liberdade de colocar no roteiro todos os passeios bregas que você acha o máximo, sem dar satisfação para ninguém. E se um lugar não for legal, nada de alguém emburrado reclamando da ideia. Ainda não está convencida? Pense no privilégio de desfrutar o silêncio para absorver a cultura de um país estrangeiro enquanto se encanta com um belo pôr-do-sol.

Por essas e outras, a falta de companhia não pode ser uma justificativa para deixar de viver uma aventura. Acredite: depois de pegar o jeito, você vicia e aí o problema será encaixar a amiga ou o namorado que quer ir junto.

Agora se partir sozinha para um lugar desconhecido ainda dá frio na barriga, outras mulheres viajantes mais experientes já pensaram em formas para facilitar o início da caminhada. Foi assim que surgiu o projeto Sisterwave, uma espécie de airBnB para o público feminino.

A plataforma conecta anfitriãs e viajantes, oferecendo uma opção acolhedora de hospedagem para quem saiu de casa desacompanhada. Mais do que acomodação, as moradoras locais até ajudam com dicas fora do roteiro turístico basicão para dar um upgrade na viagem das novas amigas.

Idealizadora da plataforma, a empresária Jussara Pelicano conta que o projeto nasceu após um mochilão pela América do Sul e Europa. “Senti na pele o que é ser uma mulher do mundo, como temos que ter mais cautela do que os homens. Mas vi também como é uma experiência muito transformadora, apaixonante e engrandecedora estar sozinha e se reconhecer como sua melhor companhia. Meu desejo é que mais pessoas possam vivenciar isso. Historicamente e por construção social, nós temos mais obstáculos que os homens. Queremos diminuir esses obstáculos e estimular experiência em novos ares e culturas, com menos medos e mais liberdade e segurança”, declara.

A rede hoje já conta com anfitriãs nas cidades de Goiânia, São Paulo, Manaus, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, mas a intenção é chegar ainda mais longe e incluir hospedagem em outros países. “Nosso intuito é ser uma rede de apoio global para a mulher viajante, com muitos outros serviços ligados à segurança da mulher. Já estamos fazendo algumas experiências pilotos no exterior. O plano é no final de 2019 já termos a plataforma e a parte jurídica estruturadas para isso. Estamos tecendo algumas parcerias fora do Brasil, só ainda não temos a definição de quais seriam os primeiros países”, revela.

Então, vamos acabar com as desculpas e partir para novas aventuras. Enquanto a rede Sisterwave não chega a destinos internacionais, que tal começar pelas cidades brasileiras onde as manas já abriram as portas de casa? Pode parecer um pequeno passo, mas é o primeiro impulso para alcançar o mundo. Está esperando mais o quê? Veja dicas para organizar a sua primeira viagem internacional sozinha.

* Gisele Barcelos é jornalista e viajante convicta, apaixonada por pesquisar novos destinos e montar roteiros para aventuras pelo mundo afora. Além de escrever sobre viagens e turismo para este portal, é autora do blog e do instagram Checklist Mundo, onde compartilha dicas para ajudar todo mundo a viajar mais e melhor.

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