Escola de Santa Maria desenvolve ação de apoio a vítimas de violência

Projeto Flores na Escola, do Centro Educacional 310, ganhou o terceiro lugar em premiação do TJDFT em concurso sobre o Programa Maria da Penha Vai à Escola.

Com o objetivo de dar apoio a alunas e servidoras que já tenham sofrido algum tipo de violência, o Centro Educacional (CED) 310 de Santa Maria criou o projeto Flores na Escola. A iniciativa foi premiada em terceiro lugar, este mês, no Concurso de Seleção de Práticas Inovadoras do Programa Maria da Penha Vai à Escola, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). 

Banheiro feminino da escola foi reformado e ganhou estrutura de acolhimento a vítimas de violência | Foto: Álvaro Henrique/SEE

“O banheiro era o lugar que eu encontrava para chorar, e sempre saía de olho vermelho tendo que inventar algum motivo. A maioria das meninas que estão com algum problema vai para o espaço fazer o mesmo”Margareth de Brito, professora e idealizadora do projeto

Os gestores escolares reinventaram o espaço do banheiro feminino, que costuma servir de refúgio para as meninas que estão com algum problema. Além de disponibilizar absorventes no local, prática comum, a escola oferece mensagens de representatividade para reforçar a autoestima das estudantes da instituição e a caixinha SOS Emocional, por meio da qual as meninas podem pedir ajuda diante de alguma situação que estejam vivenciando. Esses pedidos são recolhidos e encaminhados para um atendimento especial.

“Quem diria que um simples banheiro poderia transformar vidas?”, ressalta a professora Margareth de Brito, idealizadora do projeto. Durante o processo de reforma e decoração do ambiente escolar, a docente, que já foi vítima de violência doméstica, identificou algumas alunas que também passaram por situações desse tipo. “O banheiro era o lugar que eu encontrava para chorar, e sempre saía de olho vermelho tendo que inventar algum motivo. A maioria das meninas que estão com algum problema vai para o espaço fazer o mesmo.”

Além dos recados disponíveis no local, por toda a parede foram estampadas fotos de mulheres que passaram por situações de violência doméstica, como Elza Soares, Célia Xakriabá, Djamila Ribeiro, entre outras personalidades. Nos quadros, um QR Code possibilita ler as histórias relatadas por elas. Um espelho grande também foi colocado na parede. Ali as meninas podem se olhar, se sentir bonitas, se fotografar e, principalmente, ver que são capazes de enfrentar qualquer problema.

Acolhimento

Com a ajuda de alunas e alunos do primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio, o projeto se mantém ativo desde 2017, quando foi criado. Para a estudante do segundo ano Maria Marcela (nome fictício), 16 anos, foi de extrema importância contribuir para o desenvolvimento do Flores na Escola.

“Eu consigo enxergar que não só as meninas, mas os meninos também, conseguem se colocar no lugar do outro e têm empatia”Marcos de Sousa, orientador educacional

“Foi legal a professora Margareth ter me envolvido no projeto, porque já sofri violência e o meu principal apoio veio de dentro da unidade escolar”, conta a jovem. “Uma vez entrei neste banheiro, avistei duas meninas chorando e a minha reação foi somente abraçá-las. Foi aí que vi o poder de ajudar o próximo. Isso me conforta e me faz acreditar que estamos fazendo a coisa certa. Não desejo que outras mulheres vivenciem os mesmos traumas que eu.”

Apesar de se tratar de uma iniciativa voltada para as mulheres, alguns meninos da instituição de ensino também colaboram com a ação. O aluno do segundo ano Maxuel Sousa, 17, produz um filme sobre a lei Maria da Penha, no qual o principal objetivo é mostrar como foi desenvolvido o projeto Flores na Escola. “A ideia é trabalhar a questão do banheiro”, explica. “Nele, nós vamos contar a história de uma menina que tinha diversos problemas, mas que não tinha coragem de falar”.

Responsável pela escola e pelo projeto no período pós-pandemia, o orientador educacional Marcos de Sousa explica que os relatos de traumas aumentaram. “Eu consigo enxergar que não só as meninas, mas os meninos também, conseguem se colocar no lugar do outro e têm empatia”, afirma. “Isso é importante para nós e para a convivência”. O aluno Mikael Dias, 16, confirma o engajamento da turma: “Estamos conseguindo ser motivadores e fazer com que as meninas cuidem umas das outras”.

O orientador se mostra satisfeito com o resultado desse trabalho de equipe: “As meninas tiveram coragem de falar sobre elas e de serem acolhidas. Eu tenho muito prazer em poder participar disso tudo e parabenizo e agradeço aos meninos com as atitudes deles, porque ficamos encantados. Essa premiação demonstra que estamos colhendo os frutos desse projeto que está sendo implementado e realizado com êxito”.

Fonte: Agência Brasília

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