Presidente americano ameaça atacar a maior usina elétrica do país persa se bloqueio não for suspenso, em meio a petróleo acima de US$ 100 e crise global de energia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou um ultimato ao Irã na noite deste sábado (21/3): em 48 horas, o Estreito de Ormuz deve ser “reaberto completamente, sem ameaças”. Caso contrário, advertiu, os militares norte-americanos “atacarão e destruirão suas usinas elétricas, começando pela maior”.
A mensagem, publicada no perfil de Trump na Truth Social, eleva o tom de uma crise que já dura quase um mês e que, nas últimas semanas, paralisou a principal rota de escoamento do petróleo mundial. O estreito, por onde passa cerca de 25% da produção global da commodity, foi fechado de fato pelas forças iranianas como retaliação aos ataques de EUA e Israel que mataram o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.
⏳ A contagem regressiva
O prazo dado por Trump expira no início da noite de segunda-feira (23/3) — 48 horas a partir do momento em que a postagem foi feita. A ameaça mira diretamente a infraestrutura energética do Irã, num momento em que o país já sofre com sanções e dificuldades internas.
“Se o Irã não reabrir completamente, sem ameaças, o estreito de Ormuz dentro de 48 horas a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas usinas elétricas, começando pela maior”, escreveu Trump.
A declaração não deixa margem para negociação: ou o bloqueio cessa, ou o sistema elétrico iraniano vira alvo militar.
🛢️ O contexto: petróleo a US$ 100 e sanções suspensas
O ultimato ocorre em meio a uma escalada de pressões econômicas e militares. O preço do barril de petróleo já superou os US$ 100, pressionando economias ao redor do mundo e aumentando a pressão sobre o governo americano às vésperas de um ano eleitoral.
Na sexta-feira (20/3), Trump já havia dado um sinal contraditório: anunciou a suspensão temporária das sanções ao petróleo iraniano — mas apenas para o carregamento que já estava em trânsito, não para novas compras. A medida, explicou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, visa conter os preços imediatos sem aliviar permanentemente o cerco econômico ao regime dos aiatolás.
A suspensão das sanções, ainda que temporária e restrita, foi vista por analistas como uma tentativa de ganhar fôlego antes de uma ação mais dura. Agora, com o ultimato militar, Trump sinaliza que o tempo da diplomacia está se esgotando.
🚢 O que está em jogo
O Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, é o gargalo por onde escoa cerca de 20% a 25% do petróleo consumido no mundo. Qualquer bloqueio prolongado tem o potencial de provocar um choque nos preços da energia e desorganizar cadeias globais de abastecimento.
Desde o início dos ataques de EUA e Israel ao Irã, no fim de fevereiro, forças iranianas têm impedido a passagem de navios comerciais, atacado embarcações e lançado minas na região. O fechamento de fato da rota já levou 22 países, incluindo aliados árabes dos EUA e potências europeias, a assinarem um comunicado conjunto condenando as ações iranianas e exigindo a retomada da navegação.
⚔️ A escalada: de Khamenei ao ultimato
A crise atual começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram uma onda de ataques contra o Irã que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. A resposta iraniana incluiu o fechamento do estreito e ataques contra países do Golfo que abrigam bases americanas — Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No início de março, o novo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, chegou a pedir desculpas aos vizinhos e anunciou a cessação dos ataques contra os países do Golfo. Mas o bloqueio do estreito permaneceu, transformando-se na principal alavanca de pressão de Teerã contra a coalizão liderada pelos EUA.
48 horas que podem redesenhar o conflito
O ultimato de Trump reduz a margem de manobra do Irã a um fim de semana. Teerã agora enfrenta uma escolha desagradável: ceder publicamente e reabrir o estreito sob ameaça, perdendo seu principal trunfo de negociação, ou manter o bloqueio e arriscar ataques diretos ao seu sistema elétrico — o que mergulharia o país em caos interno e possivelmente ampliaria o conflito para toda a região.
Para Trump, o prazo de 48 horas é também um teste de credibilidade. Ele já havia prometido “fogo e fúria” contra o Irã durante seu mandato anterior, mas recuou. Agora, com a morte de Khamenei já consumada e uma coalizão de 22 países respaldando publicamente a posição americana, a pressão para que a ameaça seja cumprida é maior do que nunca.
Enquanto o mundo aguarda, os petroleiros continuam ancorados fora do estreito, o barril se mantém acima de US$ 100 e o Oriente Médio se prepara para mais um fim de semana decisivo. Se o ultimato falhar, a “guerra das usinas” pode ser o próximo capítulo de um conflito que já dura quase um mês — e que, até agora, mostrou poucos sinais de arrefecimento.
MINHA CAPITAL Notícias, dicas e muito mais – Brasília!