Tráfego de petroleiros cai 90% após retaliações iranianas; Reino Unido envia caças enquanto Congresso americano rejeita limitar poderes de Trump para escalar conflito

O sexto dia da guerra no Oriente Médio começou com explosões em cinco países, sirenes em Tel Aviv e Jerusalém, e uma constatação que fez o preço do barril de petróleo disparar nos mercados internacionais: o Estreito de Ormuz, a mais importante rota de transporte de energia do planeta, está praticamente paralisado.
Desde que Israel e Estados Unidos lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã no último sábado (28/2), matando o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, a região mergulhou em seu mais grave conflito das últimas décadas. O que se vê agora é uma escalada com contornos imprevisíveis, envolvendo ataques diretos entre as potências, bombardeios em países vizinhos e uma corrida internacional para repatriar cidadãos presos em meio ao fogo cruzado.
🚢 O estrangulamento de Ormuz e o choque no petróleo
Cerca de mil embarcações — metade delas petroleiros e navios-tanque de gás — estão ancoradas nas proximidades do Estreito de Ormuz, sem coragem para atravessar a passagem que liga o Golfo Pérsico ao mar aberto. Desde domingo, apenas 40 navios se arriscaram a fazer a travessia.
O número representa uma queda de 90% no tráfego em comparação com a semana anterior, de acordo com dados da empresa de análise Kpler. “A maioria dos navios permanece ancorada devido às compreensíveis preocupações dos armadores e comandantes com a segurança de suas embarcações e tripulações”, explicou Neil Roberts, chefe da área marítima da Lloyd’s Market Association, ao serviço de checagem da BBC.
Em resposta ao fechamento da rota — que responde por cerca de 20% do petróleo mundial —, o presidente Donald Trump anunciou que a Marinha americana protegerá os navios “se necessário” e ordenou que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos ofereça seguros contra riscos a preços “razoáveis” para o comércio que transitar pelo Golfo.
💥 Ataques em cinco países e a nova fase israelense
O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, anunciou nesta quinta-feira (5/3) que o país está “avançando para a próxima fase da operação” contra o Irã, com o objetivo de “desmantelar ainda mais o regime e suas capacidades militares”.
A declaração veio após uma noite de intensos disparos de mísseis iranianos contra Israel, que ativaram sirenes em Tel Aviv e Jerusalém. As defesas aéreas israelenses conseguiram interceptar a maioria dos projéteis, e autoridades locais afirmam que os estoques de mísseis do inimigo estão sendo gradualmente neutralizados.
Mas o conflito já extravasou as fronteiras dos dois protagonistas. Explosões foram registradas em:
- Bahrein: ao menos seis explosões em Manama, segundo testemunhas
- Catar: moradores de Doha ouviram fortes detonações pela manhã
- Azerbaijão: dois civis ficaram feridos após drones atingirem um aeroporto e uma escola na região autônoma de Nakhchivan
- Emirados Árabes Unidos: 196 mísseis balísticos foram detectados desde sábado; três estrangeiros (do Paquistão, Nepal e Bangladesh) morreram e 94 pessoas ficaram feridas
- Líbano: subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah, foram bombardeados por Israel, com novos deslocamentos em massa
O ataque ao Azerbaijão chamou atenção de analistas. Embora o país não abrigue bases militares americanas, é um parceiro estratégico próximo de Israel — comprador de armas e fornecedor de petróleo — e alvo antigo de acusações iranianas de permitir operações do Mossad em seu território.
🇬🇧 A resposta internacional: caças britânicos e repatriações
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou o envio de quatro caças Typhoon adicionais para se juntarem ao esquadrão britânico no Catar, além de helicópteros Wildcat com capacidade antidrone para o Chipre e o navio de guerra HMS Dragon para o Mediterrâneo.
“Manteremos essa proteção sobre os cidadãos britânicos na região e nossos aliados”, afirmou Starmer, revelando que mais de 140 mil cidadãos do Reino Unido já registraram sua presença na região do Golfo.
Enquanto isso, voos de repatriação começaram a operar de forma limitada. O Aeroporto Ben Gurion, em Israel, foi reaberto após cinco dias fechados, e companhias aéreas israelenses trabalham para trazer de volta cerca de 100 mil cidadãos que estavam no exterior.
Alemanha, Espanha, Holanda e outros países europeus conseguiram realizar voos de resgate com sucesso. Nos Emirados, Emirates e Etihad operam número limitado de voos, e a Qatar Airways programou repatriações de Mascate, em Omã, para diversas capitais europeias.
🏛️ O Congresso americano e os poderes de guerra de Trump
Em meio à escalada militar, o Senado dos Estados Unidos rejeitou por 52 votos a 47 uma resolução que limitaria os poderes de guerra de Donald Trump, reduzindo sua capacidade de ordenar novas ações militares contra o Irã.
A votação, quase inteiramente partidária, mantém nas mãos do presidente a prerrogativa de conduzir a ofensiva sem aval prévio do Legislativo — que, pela Constituição americana, é o único ramo do governo com poder para declarar guerra oficialmente.
Uma nova votação sobre o mesmo tema está prevista para esta quinta-feira na Câmara dos Deputados.
🎥 O navio afundado e o funeral adiado
Na quarta-feira (4/3), os EUA divulgaram um vídeo que mostra o momento exato em que um torpedo americano atinge uma embarcação iraniana no Oceano Índico. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, não revelou o nome do navio, mas horas antes a Marinha do Sri Lanka havia informado que o IRIS Dena afundou na região, com cerca de 140 pessoas a bordo dadas como desaparecidas.
No Irã, a mídia estatal informou que o funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei foi adiado. Organizadores afirmaram que a cerimônia será remarcada assim que a infraestrutura estiver pronta. Nenhuma nova data foi anunciada.
Uma guerra sem fronteiras e sem data para acabar
Seis dias após o ataque que matou o líder supremo do Irã, o conflito no Oriente Médio já não pode mais ser definido como uma guerra entre dois países. É uma conflagração regional que envolve diretamente cinco nações, ameaça o fluxo global de energia e testa os limites das alianças internacionais.
Com Israel anunciando uma “nova fase” de ataques, os EUA prometendo aumentar “drasticamente” o poder de fogo sobre Teerã e o Irã retaliando em múltiplas frentes, o cenário é de escalada contínua. O fechamento do Estreito de Ormuz, por si só, já representa um golpe na economia global — e um lembrete de que, no mundo interconectado, a guerra nunca fica restrita ao campo de batalha.
Enquanto as potências ocidentais correm para repatriar seus cidadãos e reforçar sua presença militar na região, uma pergunta permanece sem resposta: qual será o próximo alvo? E, mais importante, onde isso vai parar?
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