O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ex-delegado de polícia e atual relator da CPI do Crime Organizado, tem como missão e discurso central a apuração de todas as irregularidades nos mais altos escalões do poder, incluindo o Judiciário. Em entrevista ao Brazil Journal, ele posicionou o caso do Banco Master como exemplo central da infiltração do crime organizado no Estado e defendeu abertamente o impeachment dos ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, caso seja comprovado seu envolvimento.

A seguir, um resumo das principais posições do senador e dos fatos que fundamentam sua postura:
| Tópico | Posição de Alessandro Vieira |
|---|---|
| Caso Banco Master | Arquétipo de crime organizado que atua como “distribuidor de recursos para os poderes da República”. |
| Atuação do STF | Crítica a decisões que beneficiariam investigados e à proximidade excessiva de ministros com réus. |
| Impeachment de Ministros | Defende como caminho possível e necessário, citando Toffoli e Moraes como alvos. |
| Defesa da Democracia | Argumenta que a defesa da democracia não pode servir de escudo para a prática de crimes. |
| Autodefinição Política | Político de centro, focado em resultados práticos e combate intransigente à corrupção. |
🔍 O Banco Master como Símbolo de um Sistema Corrompido
Para Vieira, o Banco Master não é um caso isolado, mas a reprodução acelerada de um modelo criminoso em que uma estrutura financeira atua como elo de corrupção entre o crime e o poder público. Ele afirma que a “longevidade” do esquema só se explica por uma rede de proteção que envolve figuras poderosas nos três Poderes. O senador, que atuou por 17 anos como delegado, compara o caso ao papel que grandes empreiteiras tiveram no passado, destacando a infiltração do crime no Judiciário como o aspecto mais preocupante.
⚖️ O Conflito com o Supremo e a Defesa do Impeachment
A crítica de Vieira ao Supremo Tribunal Federal é direta. Ele vê com gravidade notícias sobre contratos milionários de familiares de ministros com grupos ligados a investigados e acusa uma “atuação judicial aparentemente em benefício” dos criminosos no caso Master. Para ele, o dano à imagem da Corte é “irreparável“.
Diante disso, ele defende que o Congresso Nacional, que por muito tempo se omitiu, cumpra seu papel de controle. Ele rebate o argumento de que um impeachment de ministros poderia enfraquecer a democracia após os ataques de 8 de janeiro, afirmando que “ninguém recebeu mais de R$ 100 milhões para defender a democracia“. Vieira é contra qualquer anistia, mas vê espaço para discutir o tamanho das penas aplicadas nos episódios antidemocráticos.
🏛️ O Perfil do Investigador e o Momento Político
Alessandro Vieira se define como um político de centro, guiado por resultados concretos e por uma “defesa intransigente do recurso público“. Ele acredita que o Brasil vive um momento decisivo: ou interrompe o ciclo de infiltração do crime ou caminha para se tornar um “narcoestado“.
Sua experiência como delegado geral de Sergipe — cargo do qual foi exonerado em 2017, segundo ele, por pressões políticas — moldou sua visão de que combater o crime organizado significa, inevitavelmente, atingir grandes figuras do poder. Sua atuação como relator da CPI da Pandemia, que investigou o governo Bolsonaro, e agora na CPI do Crime Organizado consolida seu perfil de investigador incisivo, disposto a levar as apurações até as últimas consequências.
Com a CPI em andamento e a eleição presidencial no horizonte, o senador aposta que a maioria silenciosa do Congresso e da sociedade se juntará à sua luta por uma “reconstrução baseada no respeito às leis”. Se ele conseguirá transformar suas duras críticas em ações concretas e processos de impeachment será um dos grandes dramas políticos a acompanhar nos próximos meses.
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