Cinco jornalistas da Al Jazeera foram mortos em um ataque aéreo israelense nesta segunda-feira (11 de agosto de 2025) em uma tenda localizada em frente ao Hospital Al-Shifa, em Gaza. Entre as vítimas está Anas Al-Sharif, correspondente reconhecido por sua cobertura na linha de frente, além dos cinegrafistas Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Moamen Aliwa e Mohammed Noufal.
O exército israelense confirmou o ataque, alegando que Anas Al-Sharif liderava uma célula do Hamas, baseando-se em documentos supostamente encontrados em Gaza. A Al Jazeera e diversas organizações de defesa da imprensa contestaram veementemente essa justificativa, apontando que não há provas confiáveis.
Reações e consequências
A Al Jazeera denunciou o ataque como “um ataque premeditado e brutal à liberdade de imprensa”, enquanto o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e agências internacionais qualificaram o episódio como potencial crime de guerra.
O incidente intensificou a condenação global, com líderes como o primeiro-ministro do Reino Unido e o presidente da França classificando o ataque como uma escalada inaceitável na guerra em Gaza.
O número de profissionais da mídia mortos em Gaza nos últimos 22 meses já ultrapassa os 180, segundo o relatório da CPJ.
Por que isso importa
Este ataque destaca a crescente vulnerabilidade dos jornalistas em zonas de conflito, especialmente em regiões onde o acesso de correspondentes estrangeiros é severamente restringido.
Também evidencia o aumento de uso de acusações sem comprovação (como vínculos com grupos militantes) para justificar ataques contra profissionais da imprensa — uma preocupação central para a comunidade internacional.
A morte desses jornalistas agrava a crise humanitária e informativa em Gaza, reforçando a urgência de condições seguras para realização do jornalismo independente.