Uma crise diplomática envolvendo a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), marcada para ocorrer em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, provocou reações em cadeia de delegações insatisfeitas com os preços das hospedagens. Governos, principalmente de países em desenvolvimento, chegaram a sugerir que o evento seja transferido para outra cidade brasileira devido aos valores “extorsivos” e inacessíveis dos hotéis locais.

? Preços que escandalizam
- Diárias chegaram a alcançar 10 a 15 vezes o valor normal praticado na cidade, passando de R$?700 ou US$?200 para até R$?10?000 (ou cerca de US$?2?000) por noite.
- Um relatório da Associated Press registrou cotação de US$?15?266 por noite em um flat que geralmente custava US$?158, configurando uma alta de mais de 9.000%.
? Pressão internacional e apelo diplomático
- Na reunião de emergência organizada pela ONU em 29 de julho, representantes da Convenção?Quadro do Clima (UNFCCC) receberam manifestações de insatisfação de países africanos, insulares e em desenvolvimento, que ponderam até reduzir ou cancelar sua presença no evento.
- Uma carta assinada por 25 delegações, incluindo países menos desenvolvidos e da União Europeia, solicitou formalmente que a COP seja realizada em outra cidade, caso os valores não sejam revistos .
- O presidente da COP30 no Brasil, diplomata André Corrêa do Lago, afirmou que o segmento hoteleiro “não tem percebido a crise que provoca” e que o aumento dos preços é claramente abusivo e isolou o Brasil num momento estratégico de debate climático global .
? Medidas adotadas ou em estudo
- Encontro emergencial convocado pelo grupo de negociadores africanos fez com que o governo brasileiro se comprometa a apresentar, até 11 de agosto, um relatório com soluções para conter o impacto da alta nos custos.
- O Brasil planejou uma plataforma de reserva oficial com tarifas reduzidas (US$?100 a US$?220 por noite) destinadas prioritariamente a países em desenvolvimento; outras opções têm teto de US$?600 para delegações com maior capacidade financeira.
- Para suprir a carência de leitos — Belém dispõe de apenas 18 mil vagas oficiais para cerca de 45 mil pessoas esperadas —, foram contratados dois navios de cruzeiro, somando 6 mil camas adicionais, além de uso de escolas e estruturas militares como alojamento.
?? Possíveis desdobramentos
- Pais em desenvolvimento podem ver sua participação comprometida, uma vez que os preços excedem o subsídio diário estipulado pela ONU (US$?149) por Volume de suporte.
- Empresas e consultorias internacionais já sinalizaram redução da participação presencial em Belém, optando por eventos relacionados em São Paulo ou Rio de Janeiro, por conta dos desafios logísticos e financeiros.
- Há risco diplomático para o Brasil, que corre contra o prazo para evitar um boicote internacional ou a transferência parcial da conferência para outras cidades com mais infraestrutura.
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